os moliceiros têm vela (293)


ao tempo

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

quando for com o vento
ficarão palavras e imagens
sonhos ilusões muitas

ilusões muitas

eu quase todo sem ser já
sussurros de água
na boca de um barco morto

os gestos o ter feito
o que me fizeram
deixo ao tempo o juízo

ao tempo
que outro deus
não conheço

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

(torreira; regata da ria; 2014)

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os moliceiros têm vela (292)


cigarra que canta a formiga

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o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida

escrevo o que sinto
sou as minhas palavras

cigarra que canta a formiga
faz do inverno verão

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o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida

(murtosa; cais do bico; 2016)

 

os moliceiros têm vela (290)


essencial o homem

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o moliceiro “Dos Netos”

por sobre o espelho
da ria o moliceiro
desliza à força da vara

em dias sem vento
ou de passagem de modelos
de nada serve a vela
fica o mastro a falar dela

essencial o homem
é a força de ser ainda o barco
a bandeira erguida

de uma terra que se busca
num tempo onde ainda não se sabe
se perdida por falta de raízes

numa suposta ria encanada
na cidade
há uns barcos que se fazem
passar por

essencial o homem
desmente-os

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o moliceiro “Dos Netos”

(torreira; regata do s. paio; 2010)