os moliceiros têm vela (435)


felizes

ria de aveiro; regata da ria; 2013
correm atrás do vento
da glória talvez
 
sonham-se o infinito
presos à terra
 
de tão grandes não
cabem em si
 
admiro-lhes as certezas
os juízos sábios

felizes não se sabem  
presumem-se 

quedo-me em silêncio
de tão pouco ser
 

os moliceiros têm vela (428)


sou ainda

torreira; regata da ria; 2011
 esqueço-me
 com facilidade
 
 
 o tempo já
 não me chega
 porque curto
 para tanto
 
 
 lembro-me
 com dificuldade
 
 
 as palavras
 sobem a custo
 os degraus
 do poema e hesitam
 antes de
 
 
 escuto-me
 com acuidade
 
 
 perco-me
 muito
 encontro-me
 tanto
 
 
 sou ainda 

os moliceiros têm vela (414)


hoje ontem amanhã

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torreira; regata da ria; 2020; ti zé rebeço

 
sabes que o teu tempo
passou
ainda não completamente
mas
 
os teus olhos vêem por dentro
das coisas e são a memória delas
 
não queres o regresso ao passado
mas que ele se sente contigo à mesa
com amigos mais jovens
a quem passes testemunho
 
o que os teus olhos viram
toda uma geração que viu
 
és ainda
olhas a ria não como
se te despedisses
mas bebendo do copo
até à última gota
 
sentemo-nos
há gente a chegar
à tua mesa
 
os moliceiros têm vela (367)

os moliceiros têm vela (367)


da regata da ria 2019

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regata da ria; fazer bordos; 2019

 
da beleza da dança
todos enchemos os olhos
 
poucos conhecem
da bailarina o sacrifício
 
dançassem os mandantes
estariam cheias as cadeiras
vazio o palco
 
falo dos moliceiros
da regata da ria
dos camaradas
do sangue da dor
do esforço
falo dos homens
 
falo dos senhores sentados
à mesa do calendário
e dos banquetes

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regata da ria; fazer bordos; 2019