os moliceiros têm vela (442)

os moliceiros têm vela (442)


de abril a vinte e cinco

torreira; regata da ria; 2013
de abril a vinte e cinco
o cravo barato vulgar povo
foi símbolo sem querer

sem espinhos foi sonho
sem espinhos foi ilusão

sem sangue cansados de tanto
abril a vinte e cinco foi porta
foi janela o poder ser se

fosse o cravo cacto espinhoso
no extremo a flor a colher
tivessem sangrado as mãos

fosses tu a colhê-lo
não o sonho ofertado

fosses tu a colhê-lo
fosses
; 2013torreira; regata da ria

os moliceiros têm vela (435)


felizes

ria de aveiro; regata da ria; 2013
correm atrás do vento
da glória talvez
 
sonham-se o infinito
presos à terra
 
de tão grandes não
cabem em si
 
admiro-lhes as certezas
os juízos sábios

felizes não se sabem  
presumem-se 

quedo-me em silêncio
de tão pouco ser
 

os moliceiros têm vela (428)


sou ainda

torreira; regata da ria; 2011
 esqueço-me
 com facilidade
 
 
 o tempo já
 não me chega
 porque curto
 para tanto
 
 
 lembro-me
 com dificuldade
 
 
 as palavras
 sobem a custo
 os degraus
 do poema e hesitam
 antes de
 
 
 escuto-me
 com acuidade
 
 
 perco-me
 muito
 encontro-me
 tanto
 
 
 sou ainda