postais da ria (258)


é tarde

enevoado tempo
o das memórias

acordo e recordo
não consigo
esquecer
o que me lembra
ao adormecer

sofro de memórias
de violentados dias
fracas palavras
pobres gestos

vem vazia a rede
vem vazia
vem

é tarde

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alar com salvador rilho (chalana)

(torreira; alar da solheira; 2010)

 

postais da ria (257)


impossível

impossível safar a vida
como quem redes safa

as mágoas que nas malhas
dos dias presas ficaram
não há mãos que as tirem
gestos que as sacudam
arredem para longe

límpidos ficassem os dias
de o terem sido sempre

estar vivo por vezes dói
safassem-se e outro seria
o que nestas palavras
preso ficará sem remédio

impossível safar a vida
como quem redes safa

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(torreira; safar redes; 2013 )

postais da ria (256)


do saber ser

0 ahcravo_DSC_1111_alfredo miranda bw

o meu amigo alfredo miranda a entralhar

meticulosas mãos
sábias precisas

limpam redes reparam-nas
novas fazem se

haverá amanhã até um dia
sabem-no há muito

aprende com elas
o ser e o ter sido

há avarias irreparáveis
redes perdidas

meticulosas as mãos
sabem-no

0 ahcravo_ DSC_1111_alfredo miranda

o meu amigo alfredo miranda a entralhar

(torreira; entralhar; 2013)