crónicas da xávega (233)


para a ana

os anos passaram
rolos de corda
de uma outra safra

lembro-me de ti
e do alfredo
a teus pés menino

quantos rolos ana
quantas safras
o alfredo a crescer
a cada ano

um homem grande
o teu filho
menino por dentro
a sorrir

hoje lembrei-me de ti ana

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(torreira; 2010)

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crónicas da xávega (185)


o meu amigo ricardo

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no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre

14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.

o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.

o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim

(torreira; 2016)

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.

crónicas da xávega (141)


resistir

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o ti américo na manga do reçoeiro, no alador

a manga no alador
corre
o fim do lanço quase

os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade

a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar

um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste

está vivo muito

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conhaque é conhaque, serviço é serviço

(torreira; companha do marco; 2015)

 

crónicas da xávega (122)


até um dia

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o stalone agarra o calão e o ti américo desata o nó que prende a corda do arinque do reçoeiro

maiores que o mar
efémeros como a espuma
enterram na areia

os pés

espero os dias de sol
encharcados de sal
para os reencontrar

um dia

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(torreira; companha do marco; 2012)