crónicas da xávega (278)


auto-retrato (3)

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em cima do barco o ti augusto arruma as mangas

do entretecer dos fios
se faz a corda

aparelha-se o barco

na vida só sei do reçoeiro
a mão de barca
crêem alguns que um dia

aparelha-se o homem

do entretecer dos dias
se faz o tempo

(torreira; 2014)

…………………

notas

reçoeiro – a corda que fica em terra

mão de barca – a corda que o barco trará e fechará o lanço

crónicas da xávega (185)


o meu amigo ricardo

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no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre

14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.

o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.

o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim

(torreira; 2016)

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.

crónicas da xávega (141)


resistir

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o ti américo na manga do reçoeiro, no alador

a manga no alador
corre
o fim do lanço quase

os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade

a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar

um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste

está vivo muito

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conhaque é conhaque, serviço é serviço

(torreira; companha do marco; 2015)