limito-me a ser


 

não te peço que entendas

sequer que gostes

daquilo que escrevo

 

como

se nem eu

por vezes?

 

sinto apenas

por isso escrevo

tenho de escrever

porquê?

porque tenho

 

não me questiones

sente apenas

ou não sintas

que sei eu de ti?

 

as palavras existem

para além de mim

sou nelas

um outro e o mesmo

 

não peço que me entendam

não peço nada

limito-me a ser

mãe


 

a mão estendida

 

o sorriso

 

a carícia

 

o estar ali sempre

 

mesmo se

 

 

 

a tua

 

a minha

 

as nossas

 

 

 

mãos

 

vidas

 

olhos

 

 

 

o teu nome

 

senti-lo nos lábios

 

como se tu

 

em mim

 

dizer-te é ter-te

 

 

 

tiveste-me

 

para que te

 

tivesse

 

e em mim fosses

 

 

 

mãe

 

como sou pequenino

 

tantos para quê?


ahcravo_DSC_9480_homem gaivotas

não sei

quantos somos

sei

que pagamos muito

 

não sei

quantos são

sei

que ganham muito

 

sei

que não pode

continuar assim

somos demais

a pagar tanto

 

sei

que não pode

continuar assim

são demenos

a ganhar tanto

 

do que sei

e do que não sei

se faz este país

 

sei

que somos muitos

 

não sei

para que serve

sermos assim

tantos