mãos de mar (42)


vidas com escamas

quantas safras
em quantos sacos
estas mãos

vidas com escamas

isso te digo
destes homens
destas mãos
0 ahcravo_ DSC_1029

(torreira; 2015)

Anúncios

mãos de mar (39)


vou por aí

não conto os dias
foram são serão
sempre dias

conto risos e lágrimas
por chorar

os que se lavam em lágrimas
não imaginam como é
ficar sujo por falta delas

conto as mãos
as dadas as negadas
as que nunca e as que sempre
as do engano também

conto sonhos e desilusões
amigos que morreram
e outros que partiram
sem morrer

conto-me como coisa outra
um eu dentro de mim
revisito-me para me ver melhor
sinto que algures fui

hoje como sempre
vou por aí
sim amigo poeta
vou por aí

enquanto puder
vou por aí

vou por aí

0 ahcravo_DSC_6269 s

(por aí; ao pé do mar; num ano qualquer)

mãos de mar (37)


olha as mãos

no princípio eram as mãos
ferramentas únicas
alfabeto de gestos e sinais

do dizer ao fazer
tudo por elas era

vê como falam as mãos
como quebram o silêncio
atenta nelas e ouve

encontrarás nas mãos as respostas
para as perguntas que não fizeste
nelas tudo é claro e transparente

olha as mãos
como se um outro corpo
e não o são

0 ahcravo_DSC_4157 s

(torreira; 2016)