crónicas da xávega (490)


lembro os dias a luta
a indecisão de
o não saber como
a aceitação a revolta
as divisões a impotência

as armas e os barões
gordos e guardados
protegidos afilhados

um tempo gordo bolorento

lembro os dias da decisão
das armas roubadas aos barões
dos canhões à praça virados
da festa da liberdade

tempo de cravos na mão

foram-se as armas
ficaram os barões e os afilhados
livres as palavras e o engano
livre tu para recusar e seres

ainda não é pleno o nosso tempo
xávega; torreira; muleta; 2010

memória_quando o mar trabalha_22032011


ser barco

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barco sr.ª da aparecida; à proa o arrais bolacha;torreira; anos 90

 
quantos o sonham
caminhar por sobre o mar
descobrir outras liberdades
inventar novos caminhos
 
como se voasse
pensam
o horizonte por limite
as ondas cócegas nos pés
andar assim sem rumo nem destino
 
ser barco
 
partir soltar amarras
cordas prisões grilhetas
convenções
 
e o regresso ?
há sempre terra no fim do mar