“quando o mar trabalha” o fotofilme


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início dos anos 70

em 2018 publiquei o meu segundo livro, com o título ” quando o mar trabalha” – está esgotado. um amigo, o amigo de sempre, fez com as as fotos do livro o filme a que assististe.
mas o livro não era só fotos, eram também “falas”, por isso ficam aqui algumas palavras, algumas “falas”.
aqui ficam três
“caminho na areia
não sou daqui
estranho este chão macio
quase não chão
quero ver os meus irmãos
trabalhadores do mar
saber de outras fainas
venho de negro
a minha cor desde que
também eu amo o mar
por isso
até morrer
o venho sempre visitar “
“sou a que fica em terra
à espera dele
a que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta
sou a que grita
quando o mar está bravo
o barco sobe na crista da onda
o arrais
bota! bota! bota!
sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui “
“este rosto vos deixo em testamento
riqueza única amealhada
em vida
sou todos os que foram
fui todos os que serão:
destino com porta virada para o mar
este rosto vos deixo
de ser eu
Pescador da Xávega
este rosto vos deixo
cuidai de o não esquecer “
outras há que muitas são as “falas” das fotos
o livro entretanto esgotou, agora só juntando no mínimo 20 pedidos se podem mandar vir mais.
obrigado a todos os que me permitiram fazer este livro, editado pela ” Almalusa” que se responsabilizou pelo design também, com o empenhamento pessoal, como é hábito, do meu amigo jorge pinto guedes.

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ser barco
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barco sr.ª da aparecida; à proa o arrais bolacha;torreira; anos 90

 
quantos o sonham
caminhar por sobre o mar
descobrir outras liberdades
inventar novos caminhos
 
como se voasse
pensam
o horizonte por limite
as ondas cócegas nos pés
andar assim sem rumo nem destino
 
ser barco
 
partir soltar amarras
cordas prisões grilhetas
convenções
 
e o regresso ?
há sempre terra no fim do mar
 

“quando o mar trabalha” no programa “pinceladas” da foz do mondego rádio


 

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na foz do mondego rádio, na figueira da foz, conceição ruivo é autora do programa “pinceladas”, espaço áudio onde conversa sobre arte

nos dias 1 e 2 de dezembro de 2018, a conversa decorreu em torno do livro “quando o mar trabalha”

obrigado conceição ruivo por esta oportunidade, obrigado sansão coelho pela coordenação e obrigado foz do mondego rádio pela eficiência e qualidade da produção do registo áudio, de que aproveitei parte para a produção deste vídeo, com algumas das fotos que integram o livro

a conversa pode ser ouvista no vídeo

 

 

quando o mar trabalha: apresentação na figueira da foz


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apresentação realizada no auditório municipal da figueira da foz, integrada nos “7Sentidos”- Festa do Teatro e da Fotografia” organizada pelo Pateo das Galinhas – Grupo Experimental de Teatro.

a apresentação do livro foi feita por antero urbano e as falas interpretadas por actores do pateo: helena adão, ligia bugalho, filipa almeida, vitor silva e rui féteira.

o apoio da divisão da cultura da câmara municipal da figueira da foz, nomeadamente a disponibilidade de anabela zuzarte e da equipa técnica do auditório foi fundamental e inesquecível.

a todos os que estiveram presentes, ou por motivos inesperados não puderam estar, um grande abraço

(do evento fica o registo feito pelo amigo santos silva e editado por mim)

“quando o mar trabalha” na murtosa


em 2018, o murtoseiro diamantino moreira de matos promoveu e organizou três sessões subordinadas ao tema “varinas”.

deu-lhes a designação genérica de “varinas dos pregões” sendo que cada sessão teve desenvolvimentos subordinados a temas diferentes, caracterizados no subtítulo da sessão.

assim, no dia 1 de agosto, a sessão designou-se “vivinha a saltar”, no dia 29 de agosto “a canastra dos artistas” – 1º lanço e, a terminar, no dia 26 de outubro “a canastra dos artistas” – 2º lanço.

foi neste 3º momento que fui convidado pelo promotor, organizador e autor do evento, diamantino moreira de matos, para participar dizendo poesia do meu livro “quando o mar trabalha” e fazê-lo com a companhia de outros amigos que diriam poemas do livro.

do momento poético deste evento, realizado no auditório municipal da murtosa e o primeiro das comemorações dos 92 anos do município da murtosa, fica o registo possível.

obrigado diamantino pelo saber, a arte e a amizade. como diziam os antigos: bem hajas

(nota: a foto de abertura do vídeo é da autoria de outro grande amigo, camilo rego. um muito obrigado e um grande abraço, amigo)

nesta sessão foi também visionado o registo por mim feito em 2016 com a emília russa e olívia borras, que de novo publico

 

as pérolas-primas do primo ou as ppp’s do “Concelho da Murtosa”


( para melhor entendimento do texto primeiro ver o vídeo da apresentação do livro na torreira e depois ler a “notícia” digitalizada )

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in “Concellho da Murtosa” de 31 da agosto de 2018

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as pérolas-primas do primo ou as ppp’s do “Concelho da Murtosa”

quando me disseram estranhei, quando contei estranharam também mas, quando li, entendi.

tinha sido notícia no “Diário de Aveiro” e no “Notícias de Aveiro”, tinha de ser também no jornal da terra e pronto, havia que escrever algo, mesmo não conhecendo o livro, mesmo não tendo estado na sessão de lançamento – o artigo não é assinado, logo é da responsabilidade ou autoria do editor. havia, no entanto, o vídeo e, deduzo, foi a partir daí que a “notícia” foi escrita.

agora vamos a ela.

comecemos pela foto, é a cores e retrata uma cena da recriação da xávega em 2013, na torreira – a foto não é minha, o livro é a preto e branco e o seu conteúdo muito anterior.

“A memória de um povo faz-se pela cara das gentes” – sublinhado meu –, assim se intitula a “notícia”, deve de ter sido escrito depois de uma ida ao festival do bacalhau em ílhavo.

o título do meu livro é em minúsculas – todo o livro é em minúsculas, toda minha escrita é em minúsculas – e mal começa uma notícia quando a primeira letra é um erro, nesta porém a seguir há de tudo – erros de português, erros de impressão, falhas de revisão, citações mal feitas, corte e cola sem critério. apetece dizer que se alguém quiser aprender “como não fazer” pode começar por aqui.

alguns exemplos: “valeu apena”, em vez de “valeu a pena”, “meio bisavô” em vez de “meu bisavô”, “domingos josé cravo (gorim)” passa a “Domingos José Cravo”. se me citam usem, pelo menos, o meu modo de escrever. os textos entre aspas na “notícia”, citações do livro, não sabem o que é o respeito.

quanto aos delírios que vão surgindo, talvez por problemas de audição, organização interna ou o velho “tenho de despachar isto”, desafiam a criatividade de alguns dos melhores humoristas do nosso país. apesar de anexar a “notícia” na íntegra, não quero deixar de reproduzir alguns nacos que mais me fizeram rir e que resultam de colagens feitas pelo autor da “notícia”:

“ … as fotos de 1972, nunca saíram da Murtosa, foram todas feitas aqui, vieram da Murtosa.”

“ … fui somando memórias e fui e consegui a minha maior realização….”

“ … é o que eu deixo à Torreira, foi feito em França, fiz questão que isto ficasse bem, em França…”

enfim…. há mais mas eu gosto muito destes.

há, porém, o início de um parágrafo em que perco a vontade de rir porque, e agora cito o autor da “notícia”, se pode ler “ Um livro a três tempos, só tem piada se as fotos forem vistas com as palavras ao lado…”. poupem-me, há piada no livro? só para alguém que quer gozar comigo ou com aqueles que fotografei ou com os familiares dos retratados falecidos – mais de 40.

penso que o “Concelho da Murtosa” terá um revisor de textos. será que estava de férias? será que não quis rever este? ou será que reviu mesmo e quis deixar assim? qualquer das hipóteses não o deixa ficar bem.

peço a todos que leiam, ou releiam, o artigo que reproduzo. aos que estiveram presentes na sessão de lançamento na torreira que comparem com o que ouviram e aos que compraram o livro, e já foram muitos, que vejam se esta “notícia” tem alguma coisa a ver com o livro que compraram.