os moliceiros têm vela (268)


frema

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palavra da terra
das gentes
do serem dela
cheios alguns

deixo a frema
para que falem dela
e vejam
no homem a frema
de ser
e só assim continuar

o que é a frema
pergunto-vos

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(torreira; regata do s. paio; 2016)

o filme continua com

“o tempo do moliço”

 

parabéns ti abílio carteirista


parabéns ti abílio

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eis o homem da beira-ria, chama-se abílio carteirista

será que este ano são mesmo os 80? ou foi o ano passado?

quem conhece o ti abílio (carteirista) sabe bem que com ele tudo é possível.

eu acredito que este ano são mesmo 80 anos.

fala-se muito da “brejeirice da beira-ria” quando se analisam alguns painéis de moliceiros, mas só se sabe o que é a “brejeirice da beira-ria” depois de alguns momentos de convívio com o ti abílio.

fala-se do “duplo sentido” que algumas legendas de painéis de moliceiros utilizam, veja-se a alcunha “carteirista” e pensa-se logo numa interpretação, mas …… (vejam o vídeo)

o ti abílio tem também da tradição dos homens da beira-ria, no saber o valor da palavra e no reconhecer os amigos – é o que somos.

o ti abílio é a beira-ria

parabéns ti abílio, seja qual for a idade que você comemora hoje, nunca parecerá a que é.

abraço do amigo cravo

(os clips de vídeo, que registei em conversa com o ti abílio, mostram um ti abílio sério, de boa memória, muita experiência de vida e capaz de encarar o futuro com um discernimento que incomodará muitos de menos idade.
hoje o primeiro da série)

ao moliceiro desconhecido


” – ti zé, quando é que podemos gravar ?
– oh cravo, agora estou sozinho, mas pode ser segunda-feira pelas 6 da tarde”

foi assim e na segunda-feira, dia 12 de junho de 2017, nos juntámos na cozinha do ti zé rebeço e fizemos a gravação a que assistiram..

houve estórias para além de haver bateria que a memória é rara, as vivências muitas e o homem enorme.

memória de um tempo, de uma geração, de uma ria que já não volta mas importa celebrar e, porque não, reviver.

obrigado ti zé, há momentos em que vale a pena estar vivo, estes foram momentos em que valeu a pena.

 

 

(depois de ouvir a história de vida do ti zé rebeço)

 

 

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eis o homem
sejam nele todos quantos
antes muito antes
araram e ceifaram a ria

límpidas e puras as palavras
como então as águas
que sulcavam a bordo dos seus barcos

homens sem nome sem rosto
moliceiros desconhecidos
a quem a terra que adubaram
que a tantos deu de comer
ainda lembra mas não recorda

ao moliceiro desconhecido
na terra que o viu nascer
tudo mas tudo lhe é devido

tarda a hora de o fazer

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(o ti zé rebeço revive a descarga com moliço, no cais do bico)

 

os moliceiros têm vela (250)


o meu amigo ti zé rebeço

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o ti zé sempre

que idade tem um homem
quando é um homem de todas as idades?

o que pesa aos ombros de um homem
quando o que carrega é a própria vida?

um mastro de moliceiro
foi tronco de árvore
é hoje a raiz de uma gente
onde a bandeira de um povo
ergue a voz de ser ainda

amanhã ti zé
amanhã iremos sempre à ria
seremos todos os que já foram
todos os que hão-de ser
sabendo que aqui
o moliço foi rei
e os homens quando falavam
empenhavam a palavra

ainda os há ti zé
ainda os há
os de palavra aqui

(regata do bico; 2016)

o vídeo da regata

(todos os anos no primeiro fim de semana de agosto realiza-se na murtosa, no cais do bico, a festa do emigrante.

o ponto alto é no domingo, depois de almoço, a regata de moliceiros. sempre a festa maior da ria.

este vídeo, mais um registo para memória futura, foi feito com a câmara colocada na bica da proa do moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço, moliceiro dos velhos tempos e que bebe na ria a vida de cada dia, aos 76 anos idade. é seu camarada, nos últimos anos, manuel antão.

procurei neste registo não fazer corte de tempos que “parecem” mortos, fica à responsabilidade de quem o vir, segundo a sua sensibilidade e ligação à ria, fazer os cortes que achar por bem – acelerando, por exemplo, durante alguns momentos a passagem do vídeo e voltando ao normal quando o entender.

que corte quem vê e não quem faz é o meu critério neste tipo de registos.)