conversas murtoseiras (2)


a memória de um tempo, de um lugar, de uma gente.

a nossa memória contada por francisco faustino em 23 de junho de 2018

aqui se fala do moliço, da emigração, de um tempo de águas mais doces

de seres e estares que não voltam e por isso são memória a não negar, esconder ou ignorar.

somos nós, agora ainda, frutos de

 

postais da ria (183)


o meu país arde

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9 horas da manhã e era noite

o meu país arde
de abandono
e não há lágrimas
que apaguem
erros de anos

o meu país arde
de ter sido um dia
à beira mar plantado
da beira mar arrancados
os filhos mal amados

o meu país arde
o meu país arderá
até nada mais restar
que a memória do verde
e de terem havido árvores
que se tornaram naus e barcos

o meu país arde
como arderam os olhos
dos que partiram

quem se lembrou deles então?

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haverá beleza no inferno?

(torreira; 8 de agosto de 2016)