vim de onde


vim de onde

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vim de onde quase
tudo ardeu
se de luto os homens
de negro foi a terra
que se vestiu

fumos brancos breves
brotavam das cinzas
memórias do inferno

depois de ter visto
sentido e cheirado
as palavras são só isso

para que não se repita
a espada tem de cortar o fogo
antes de mais fogo haver

há quem ateie agora
o fogo que lhe dá jeito
por mim deixo-os arder nele

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(19/10/2017)

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postais da ria (183)


o meu país arde

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9 horas da manhã e era noite

o meu país arde
de abandono
e não há lágrimas
que apaguem
erros de anos

o meu país arde
de ter sido um dia
à beira mar plantado
da beira mar arrancados
os filhos mal amados

o meu país arde
o meu país arderá
até nada mais restar
que a memória do verde
e de terem havido árvores
que se tornaram naus e barcos

o meu país arde
como arderam os olhos
dos que partiram

quem se lembrou deles então?

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haverá beleza no inferno?

(torreira; 8 de agosto de 2016)