vim de onde


vim de onde

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vim de onde quase
tudo ardeu
se de luto os homens
de negro foi a terra
que se vestiu

fumos brancos breves
brotavam das cinzas
memórias do inferno

depois de ter visto
sentido e cheirado
as palavras são só isso

para que não se repita
a espada tem de cortar o fogo
antes de mais fogo haver

há quem ateie agora
o fogo que lhe dá jeito
por mim deixo-os arder nele

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(19/10/2017)

aos que morreram pela mão do fogo (1)


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hoje é o primeiro dia
de luto

façamos dele
mais um dia de luta

pelo planeta
pelos povos
contra a estupidez cega
do lucro desenfreado

pelo cumprimento
do acordo de paris

hoje é o primeiro dia
de luto
mas não me basta que o seja
quero mais

hei-de querer sempre mais
um dia de luta

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(regata da ria, 2010)

os moliceiros têm vela (265)


aos que morreram pela mão do fogo

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aos que morreram pela mão do fogo
e foi atroz a sua morte
nada os trará de volta

mas que fique claro
que nada acontece só
por vontade da natureza

há mão do homem
a forçar o evitável

quando se lembrarem deles
lembrem-se do acordo de paris
da urgência de o cumprir

aos mortos
nada os trará de volta
aos vivos
que lhes sirva de lição

isto anda tudo ligado
escreveu o poeta há muito
mas podia escrevê-lo hoje

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(regata da ria; 2009)