os moliceiros têm vela (352)

os moliceiros têm vela (352)


salve mestre

0 ahcravo_DSC6553 _mestre bw72

mestre antónio esteves e a sua obra: o “presidente”

esqueçam os planos
traçados a rigor de esquadro
medidas milimétricas
sofisticação de computador
 
o mestre tem outra arte
outras medidas outras regras
 
única e irrepetível
a obra
sempre a primeira
sempre a última
 
a obra do mestre
é a SUA OBRA
 
salve mestre
 
0 ahcravo_DSC6553 _mestre72

mestre antónio esteves e a sua obra: o “presidente”

(murtosa; praia do bico; 31 de março; 2019)
 

mestre zé rito_torreira


0 ahcravo_DSC_4343 moliceiro ze rito
nasceu em 1956, filho de pescadores e caçadores que se tornaram moliceiros, zé rito “nasceu no moliço”, fez-se construtor naval e é pescador.
 
de família originária da murtosa é na torreira que vive e se torna o primeiro construtor naval da terra.
 
homem da ria e dos moliceiros sempre participou nas regatas de moliceiros, bateiras e chinchorros. tirando alguns azares ficou sempre nas primeiras posições em todas as regatas, muitas delas no primeiro lugar.
 
o mais a conversa gravada o diz.

à conversa com mestre antónio esteves (pardaleiro)


0 arhcravo_DSC2226_bwv

o mestre a trabalhar com serra tradiconal

em julho de 2018, no estaleiro junto à ribeira das bulhas , em pardilhó, conversei com o mestre antónio esteves (pardaleiro), primo do mestre murtoseiro, falecido em janeiro de 2019, joaquim raimundo.
aos 78 anos continua a construir e reparar os barcos que lhe encomendam. as perguntas foram à medida do meu saber e poderão ter ficado aquém do que o mestre merecia. mas, como diz o povo, quem dá o que tem ….
foi aprendiz do mestre henrique lavoura de quem “herdou” o pau de pontos, que já vinha do mestre joaquim rato – da bestida para pardilhó a caminhada da tradição.
0 arhcravo_DSC2226_sep
à data da conversa nenhum de nós imaginava que mais um moliceiro lhe iria sair das mãos, mas há sempre – até quando ? – surpresas na ria. no momento em que esta conversa é publicada está em fase de conclusão mais um moliceiro.
lá estarei no bota-abaixo
o mestre antónio esteves (pardaleiro) é o mais antigo mestre construtor naval em actividade e foi, será sempre, um prazer ouvi-lo
da conversa fica o vídeo possível

os moliceiros têm vela (243)


notas de um retirante

0-ahcravo_dsc_9361-bw

para que conste

em 1999 o mestre zé rito, que tinha o estaleiro ao lado de casa, construiu, a céu aberto num terreno em frente ao estaleiro, o moliceiro “zé rito”.

em 2016, o mestre zé rito construiu, a céu aberto num terreno ao lado do “museu estaleiro do monte branco”, o moliceiro “um sonho”.

evolução? continuidade? o que mudou para que tudo continuasse na mesma.

aqui fica o convite para visitarem o museu estaleiro e aprenderem vendo.

(construção do moliceiro “um sonho”; 2016)

construção de um moliceiro (8)


0 ahcravo_DSC_9586
21 de agosto

hoje acabou-se o fecho dos costados do moliceiro.

neste registo o ti alfredo do táxi – porque foi dono do primeiro táxi da torreira, antes de emigrar – segura a tábua que o mestre zé rito aplaina e irá ser colocada na parte inferior da proa, a estibordo.

para fechar totalmente o barco, ficam só por colocar as tábuas de fecho do fundo.

amanhã começa o trabalho de decoração do barco, a cargo do pintor zé oliveira que, há cerca de 25 anos, decora moliceiros e para os quais vai inventando os temas que tão bem caracterizam os painéis. vamos ver o que sai desta vez.

quanto à colocação da tábua, depois de afeiçoada, não fiz qualquer registo porque…. fui membro da equipa do turno que a aguentou enquanto o mestre a fixava.

(torreira; 21 de agosto de 2016)

construção de um moliceiro (6)


19 de agosto

hoje o mestre zé rito, andou entre o acabamento da proa e o leme e pequenas tarefas de aperfeiçoamento. do varrer ao polir, de tudo se fez um pouco e os amigos ajudavam onde era preciso a cada momento.

momentos houve, como todos os dias, em que o mestre trabalhava e conversava com os amigos, dizia piadas e continuava. a obra é um acto de contentamento e não o resultado de um sacrifício.

emigrantes, reformados, pescadores, turistas …. muitos foram os que por ali passaram, os que ali ficam e convivem.

dos muitos momentos vividos ao longo do dia, fica o registo último que fiz antes de os deixar: o colocar do último “cunho” do castelo da proa, depois do “bertente”.

como já escrevi, este não é um diário técnico, nem o pretende ser, é isso sim, uma memória dos dias vividos junto à ria à mesa de um moliceiro em construção.

como disse o setenove, em torno ” de mais um filho da ria”.

0 ahcravo_DSC_9366

o mestre zé rito coloca o último “cunho”

(torreira, 19 de agosto de 2016)

construção de um moliceiro (5)


18 de agosto

hoje o mestre zé rito continuou a trabalhar em pequenos, mas importantes detalhes da construção, nomeadamente a quase conclusão da bica da proa e ponteiras.

registei, pela sua valia humana de solidariedade e amor, o momento em que todos os que foram precisos ajudaram a colocar a tábua de baixo, do costado de bombordo.

tirando uma pequena lacuna na ré, o bombordo ficou fechado – até à hora em que saí do estaleiro.

talvez amanhã quando lá chegar já esteja fechado. quando saí ontem faltava colocar a tábua de baixo do costado de estibordo à ré, hoje de manhã já estava no sítio.

o barco vai-se fazendo de acordo com o saber do mestre, com os métodos herdados na sua aprendizagem e aperfeiçoados no seu fazer diário. de acordo com o seu tempo.

não sou técnico, sou o que olha e vê os homens e um barco que pulsa dentro deles e os faz rir e conviver, como se em torno de uma mesa farta.

o tempo aperta, o mestre não descansa, os amigos esperam, plateia atenta, que um pedido surja e logo é satisfeito.

0 ahcravo_DSC_9130