MANUEL DE FREITAS [ Vale Santarém, 1972 ]

MANUEL DE FREITAS [ Vale Santarém, 1972 ]


para quem gosta de poesia um blog a seguir

POESIA Y OTRAS LETRAS

Créditos da imagem: fotografia de Inês Dias


Ninguém melhor do que Manuel Freitas conseguiu falar da tragédia metafísica sem fuga e da tortura de estar vivo numa sociedade onde o conformismo se confunde com a barbárie e o erro. Mesmo Portugal, lugar do fingimento pessoano, não escapa a sua escrita de “país devastado, / o símbolo envergonhadamente europeu … da austeridade, / do analfabetismo e da luz chegando a remotas, / quase míticas aldeias” (Cervejaria Leirão). Um emaranhado de fracassos e perdas atravessado pelos mortos e, mais ainda, pela morte. De certo modo, o poeta traça uma visão da ruina de nossa civilização ocidental na perspectiva histórica da poesia. Ei-nos num lugar paradoxal, onde a poesia diz o que as pessoas não percebem.

Spot “A vida não pode ser assim tão assustadora”, diz a margarina becel em horário nobre, para não-cardíacos. O que, na verdade, me deixa saudades…

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“Poemas para Mário Botas” _ 1


do livro “FALAR DELE NO CÉU DE UMA PAISAGEM – poemas para Mário Botas”

“ANYWHERE OUT OF THE WORLD” de Inês Dias

“AQUELE QUE ESTÁ DIANTE DO OUTONO” de Maria João Cantinho

“RESTITUIÇÃO” de Marta Chaves

postais da ria (404)


infinitas manhãs

cais do bico; murtosa
infinitas manhãs
de gestos suspensos
no vazio de não haver tecto

infinitas manhãs
de impiedosas mãos desfiguradas
num enclavinhar de dedos
na lisura das paredes

infinitas manhãs
de doridos olhos encovados na palidez do rosto
arrastando-se fundos pelo dia imposto

infinitas manhãs
porque não me deixais dormir

cais do bico; murtosa

FRANCESCO SCARABICCHI [ Ancona 1951 – 2021 ]

FRANCESCO SCARABICCHI [ Ancona 1951 – 2021 ]


da poesia em italiano

POESIA Y OTRAS LETRAS

Crediti dell’immagine: https://unisaperi.it

Un calarsi nella trama dell’umano, del suo radicamento temporale, del suo patire fra la consistenza e la dissoluzione. La durata e la caducità, sono le polarità che si leggono nel volume postumo La figlia che non piange, di Francesco Scarabicchi. La verità, le funzioni veritative sono tutte lì, nel respiro del tempo e il mistero delle cose fatte di tempo. Il suo è un dire sì alla vita, nelle cose che passano, mutevoli e mutabili soltanto nel segreto della sua verità. Sensibile e sommesso, lontano da ogni trionfalismo, la scrittura di Scarabicchi appare munita di una naturalità che lo porta a guardare il mondo senza essere visto.

Una residenzaa Massimo Recalcati Non c'è altro luogo, credimi, che questo, tutto il bianco possibile, la pagina e poi quelle formiche delle righe a dire il poco, il molto che noi siamo, ma non tanto di me e…

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da natureza e do amor


era manhã
muito cedo ainda

ensonado o sol recusava-se a rir
a névoa que cobria os campos
era um véu tímido que lhe tapava os lábios

lentamente o dia
espreguiçou-se, bocejou
iniciou o ritual do levantar

escondido
atrás de uma erva pequenina
a tudo assistia estupefacto
no momento em que chegaste

vinhas de muito longe
poisada numa folha verde
trazida pelo vento gelado da manhã
eras nova no prado
ninguém te conhecia

para mim sorriste
e as outras abelhas
invejaram-me a companhia