crónicas da xávega (477)


para o meu amigo agostinho trabalhito

apanhei rente ao mar  
três seixos rolados
de cores diferentes
como diferente é tudo

entrechocando-se na mão
produzem um som áspero
um som de memória perdida

encostados ao ouvido
nada dizem
são simples pedras
não búzios

também eu
trago no corpo o mar
o mar que ninguém ouve

(torreira; 2016)

CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]

CASIMIRO DE BRITO [Loulé, Portugal, 1938]


POESIA Y OTRAS LETRAS

Créditos da imagem: https:⁄⁄revistacaliban.net

No Livro das Quedas. Ars Moriendi (Roma Editora, 2005), para Casimiro de Brito a morte é um acontecimento trágico e angustiante, porque vê nela a tremenda foice que corta inexoravelmente e cruelmente o fio da existência, afundando as pessoas no abismo do nada. Apesar da certeza que o autor coloca sobre o fato de que com a morte o ser do homem não está extinto, no entanto, isso marca o fim de uma prova irrepetível. Como situação decisiva da vida, a morte representa, em comparação com a vida, uma passagem para um outro lugar para o qual se pode ir como a própria fundação, como para aquilo em que se encontrará a realização, mesmo que incompreensível… (“a vida do mundo é um bem ilusório”, Alcorão, 3, 185) porque é e permanece excluído das possibilidades cognitivas do intelecto.

2 Um homem vai no seu corpo e subitamente…

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“hoje vou falar de um António …” de teresa alvarez


foto de teresa alvarez
Hoje vou falar de um António, não do Santo, que não estou para aí virada .

Nunca me sentei à frente dele a saborear um café.
Não sei como ri ou como chora.
Não sei como caminha
ou se gosta de se sentar nos bancos de jardim.

Sei lhe a voz  e sei que está sempre rodeado de livros. Não é um homem é uma biblioteca.
Tem um ofício peculiar...
entra dentro dos livros e dá a voz e a alma a páginas e páginas e as pessoas ficam a ouvi lo e a vê lo ....e a pensar no amor  absoluto que o  "homem da boina" tem pelas palavras.
E também é poeta
   "sou a pedra no vidro
     o prego no sapato" 

...como cidadã livre e irreverente eu te condecoro,  António José Cravo, com a medalha de mérito pelo serviço público prestado generosamente aos "loucos" que escrevem coisas e aos que têm o vício de lê las.
                     nada menos

                                                            (teresa alvarez)
o próprio