A produtividade e o exterminador


o exterminador insaciável

em nome da produtividade tudo nos leva o exterminador, que homem só não é, mas todo um governo de trogloditas (sabe-me tão bem esta palavra aqui), com infiltrações internacionais.

foram-se feriados, vão-se dias de férias, aumenta-se o horário de trabalho, reduzem-se remunerações … e não há judiciária que chegue para tanto roubo.

mas, falemos de produtividade, não teoricamente mas em termos práticos, através da minha experiência profissional e pessoal.

na década de 90 fui consultor de uma das maiores multinacionais alemãs de confecção têxtil, para a instalação de duas unidades de produção. Criaram-se cerca de 1.500 postos de trabalho, com recurso a todos os fundos comunitários possíveis.

os trabalhadores, na sua maioria mulheres, foram recrutados entre jovens sem qualquer experiência industrial, saídos do ensino ou dos campos de cultivo da economia familiar. Durante 2 anos foi-lhes ministrada formação e iniciaram, logo que possível, a produção.

ao fim de dois anos pedi ao encarregado geral, representante da empresa mãe numa das unidades, que fizesse uma avaliação da produtividade média das trabalhadoras, para termos uma ideia concreta do trabalho realizado.

para surpresa dele, e minha, a produtividade ultrapassava os 90% de uma operária alemã, com anos de experiência e vencimento muitas vezes superior.

produtividade baixa em portugal? só por falta de investimento em equipamento moderno e de topo.  a maioria dos empresários portugueses, mais patrões que outra coisa, ainda  baseiam os seus lucros na mão de obra barata e nos ganhos a curto prazo. pois, meus caros, eles sim, é que deviam ser objecto de todos os cortes, que trabalhem!

mudando o ditado: à banca e ao patrão dá sempre o governo a mão.

e porque vem a talhe de foice, um episódio que revela bem o espírito germânico de controlo de produção.

tempos depois vim a saber que as trabalhadoras que engravidavam não tinham o seu contrato renovado. questionei o responsável pela fábrica sobre esta matéria e foi-me dito que tinha que ser, em nome da produção, e para não se criarem maus hábitos; acrescentou, mesmo, que num país do norte de áfrica, numa fábrica que lá tinham montado, dissolviam a pílula na sopa do almoço, o que aqui não era possível.

em poucos anos as duas fábricas encerraram. já tinham sugado o que podiam e partiam para outro país.

vão à merkel

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