é urgente


o pescador filósofo

ando por aí
no inventar de caminhos
encontros e desencontros
fabricando sonhos
nas noites diurnas

a acender fogos
no seio das rochas mais frias
para que nasçam rios cheios
de olhos abertos

a plantar árvores
em cima do mar
ver crescerem barcos
onde mais que homens são
os que lá dentro vão

na minha rede só letras
plantadas nos regos abertos pela enxada
desta cabeça imparável

acender lume nas pedras
abrir olhos nos rios

é urgente

(torreira; companha do marco; 2011)

xávega_o aparelhar


o saco

 
barco no mar, barco em terra, trabalho sempre.
 
neste registo podem-se ver as redes sobre a  “zorra” (espécie de maca de madeira, constituída por tábuas pregradas sobre dois rolos atravessados na face inferior), para não se encherem de areia, enquanto se começa a aparelhar o barco.
 
de notar que, neste caso, se começa pelo saco. o falecido arrais zé murta, carrega a extremidade do saco, que depois contornará a bica da ré para ficar abraçado nela.
 
(torreira, companha do murta, 2007)