os moliceiros têm vela (356)

os moliceiros têm vela (356)


telegrama

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o moliceiro é esta forma de estar – para carregar o mastro todas as idades são a idade

ter um dono
e ser de todos
eis o moliceiro
(torreira; junho; 2018)
nota: enquanto autarcas, museus, universidades, doutores e engenheiros e outra gente importante, não se entendem sobre quem fará a candidatura do moliceiro a património nacional, na torreira, no museu estaleiro do monte branco, onde trabalha o mestre zé rito, o espectáculo é este.
 
de repente foi preciso carregar o mastro de um moliceiro – um moliceiro tem mastro e vela, o resto são “caricaturas” ou “amputados” que andam por aí – para reparação, logo aparecem voluntários de todas as idades dispostos a ajudar. como se dissessem:
 
– o moliceiro é nosso!
postais da ria (300)

postais da ria (300)


escrevo-me

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quim marçal

caminho frágil este
o dos dias de estar aqui
escrever na areia dizem
e que mais resta quando
de água a memória
escrevo para lembrar
para sentir para saber
sigo o caminho das letras
em busca das palavras
eu perdido por aí
escrevo-me escrevo-me
talvez me encontre
(torreira; reparar redenho;2018)
os moliceiros têm vela (354)

os moliceiros têm vela (354)


o vazio
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nas linhas dos cadernos
de duas linhas
aprendíamos a fragilidade
das letras
 
o equilíbrio precário
da escrita da vida
aprisionadas
 
escrevo há muito em
folhas lisas
simulando o plasma
onde agora
 
o vazio começa
no vazio
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(torreira; regata da ria; 2009)