quem conta um conto ……


14 de dezembro, de 1880

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no diário do governo nº 285 de terça-feira, dia 14 de dezembro, de 1880, é publicada a lista dos pescadores que participaram no salvamento dos náufragos do nathalie e foram por isso contemplados com:

“Medalha de prata para distincção e prémio e prémio concedido ao mérito, philantropia e generosidade:

Francisco da Silva Vaz
José da Silva Vaz
Manuel Joaquim Gorim
José Manuel do Padre
José Maria Rodrigues Brandão
Joaquim Maria Rezende
José da Cunha Pereira
Francisco António Russo
António Joaquim Vidinha
Manuel João Bucinho
Gonçalo Serrano
Gonçalo António Netto
José do Padre
António Maria Tavares
Joaquim Raphael
José Gravato
Domingos Luís de Mattos
Matheus Carapilho
António Pereira
Manuel da Cruz
Manuel Mariquinhas
Pedro Carapilho
Joaquim Carinhas
Lourenço Caroço
António Padinha
Manuel Maria Rebello Sebollão
Gonçalo de Oliveira Vadé
Manuel Cascaes
Raphael Maria da Cunha
António Maria Sardo
Manuel Lenho
Manuel Maria Caravella
Manuel Tejeleiro
João António da Silva
Manuel Gorim Júnior
João José Tavares
João Carinhas
Manuel José Acabou
João Vida
Francisco Besugo
Joaquim Presada
Gonçalo Marim
Manuel José Soldado
Manuel Tameiro
José Maria Patarata
António Tigeleiro
Manuel Canito
António Baldaia
Manuel da Brasia
Joaquim Codea
João Sassu
Pedro Fernandes Tavares da Ruiva
Luiz de Pinho das Neves Padinho
Egydio Salgado
José Maria Sapata
Manoel Mariquitas”

(todos a trabalhar em companhas da torreira)

são eles que hoje, aqui, são lembrados, enquanto continuo a esperar que senos da fonseca, encontre provas documentais da participação do arrais ançã no salvamento. senos da fonseca e todos quantos o vêm divulgando.

para que a estória não passe a história, era bom que provas documentais surgissem, como a que publico. é que: “quem conta um conto acrescenta um ponto”

crónicas da xávega (131)


aparelhar da mão de barca

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e não são de cânhamo estas cordas

o massa e o bruno colocam um rolo de corda da mão de barca dentro do barco.

a cala da mão de barca fica debaixo do paneiro da proa até ao traste da proa

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encontram-se as mãos no esforço, a companha é isso mesmo

(torreira; companha do marco; 2009)

crónicas da xávega (130)


muleta, mão de barca, regeira

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anda areia no ar junto com poalha de água

recordando

quando os barcos eram “empurrados” por uma  muleta como a que se vê nesta foto, o barco era mantido na perpendicular à praia, com a ajuda de duas cordas:

– a mão de barca, cala do aparelho que ficava em terra, que o arrais amarrava à bica da ré e ia largando conforme as possibilidades e as necessidades

– a regeira, corda presa ao golfião de bombordo da proa e que estava preso a um bordão enterrado na praia e da responsabilidade de um camarada da companha (enquanto foi vivo e lá trabalhou, era o ti antónio neto que o fazia)

a terceira corda que se vê na foto é a que está amarrada à muleta, para quando o arrais a soltar poder ser recuperada para terra.

vê-se areia por todo o lado porque o motor está a trabalhar e quando a onda recuou deixou-o em seco e o barco não largou como era de esperar.

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a cores as cordas são bem visíveis

(torreira; companha do marco; 2009)

crónicas da xávega (129)


o meu amigo luciano

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um dos momentos mais arriscados para os pescadores de terra, é o prender dos ganchos nos arganéis do barco, no momento de arribar.

ou quando já com o barco no mar é preciso trazê-lo de novo para terra e esperar por nova oportunidade.

neste registo qualquer uma dessas situações pode estar a acontecer, se o arrais tiver decidido arribar de popa.

tractores, arrais, pescadores de terra e mar, têm de ter em atenção não só as ondas, como a possibilidade de um movimento lateral do barco lhes esmagar as pernas.

o luciano, não grita por medo, grita para orientar o tractor, provavelmente para lhe dizer que está preso o gancho porque é responsável e que puxe o barco para a praia.

 

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(torreira; companha  do marco; 2009).

um lanço de xávega


sem quaisquer pretensões fílmicas, apenas documentais, procurei registar os diferentes momentos de um lanço de xávega: largar, arribar e aparelhar.

o registo foi feito na praia da torreira, no dia 30 de agosto de 2015, com a companha do arrais marco silva e no barco de mar de mar “maria de fátima”

procedimentos no mar:

– largar o reçoeiro
– largar o arinque do calão do reçoeiro
– largar a manga do reçoeiro
– largar o saco e a calima ou calime
– largar a manga da mão de barca
– largar o arinque do calão da mão de barca
– largar a mão de barca

no arribar notar o modo como o arrais enrola cala da mão de barca na bica da ré, para segurar o barco enquanto espera a onda, ou as ondas, que o hão-de levar a terra “surfando”.

procedimentos no aparelhar:

– a rede fica entre o paral (antepara) do motor e o primeiro traste (traste da ré)

– a cala do reçoeiro fica por cima da rede

– a cala da mão de barca fica debaixo do paneiro da proa até ao traste da proa

– o saco dá a volta ao barco pela ré e assenta no paneiro da proa

sequência:

– manga da mão de barca
– saco
– manga do reçoeiro
– cala do reçoeiro

em paralelo: cala da mão de barca

cada camarada sabe qual a tarefa que lhe cabe em cada um destes momentos e todos funcionam como uma companha.

 

crónicas da xávega (45)


o arribar da rede

cala, calão e manga - sequência do aparelho

cala, calão e manga – sequência do aparelho

a rede começa no calão: o stalone, rapaz alto, robusto e de muito músculo (vê-se na foto), agarra-o mantém-o rente ao chão

a seguir, o horácio, já amarrou à manga, o cabo de corda que servirá para que o calão passe ao lado do alador, para não se quebrar nem parar o alar

ao fundo, o alfredo, ampara a manga com o bordão, impedindo que as correntes de norte a arrastem.

stalone, horácio e alfredo - sequência dos camaradas

stalone, horácio e alfredo – sequência dos camaradas

(torreira; companha do marco; 2013)