pergunto à areia como resiste
à fúria invernal do mar
e continua aqui
leito de homens barcos artes
diz-me que do mar filha é
sempre foi
e um dia a ele retornará
destino de
fala-me me dos homens
das máquinas
que passado o inverno
a que foi poupada
a vêm roubar
para destinos que não seus
diz-me que histórias
muitas haveria para contar
mas é tarde
muito tarde
o sol queima
a areia arde
