fala da areia


 

o aparelhar das redes; torreira; companha do marco; 2011

o aparelhar das redes,  torreira, companha do marco, 2011

 

 

pergunto à areia como resiste
à fúria invernal do mar
e continua aqui
leito de homens barcos artes

diz-me que do mar filha é
sempre foi
e um dia a ele retornará
destino de

fala-me me dos homens
das máquinas
que passado o inverno
a que foi poupada
a vêm roubar
para destinos que não seus

diz-me que histórias
muitas haveria para contar
mas é tarde
muito tarde
o sol queima

a areia arde