há momentos em que as máquinas não substituem a gorça humana, na xávega este é um deles e dos mais importantes.
quando a barca “arriba” traz com ela (onde faz fixe) a “cala” “mão de barca” (corda que fecha o cerco), mal o barco encalha na areia o arrais passa-a para a companha que, em terra, a espera para a levar a força de pulso até ao alador mecânico, sem lhe dar folga ou largar; o que faria perder todo o trabalho.
é na torreira, de todas as praias de xávega que melhor conheço, que as mulheres têm um papel fundamental na arte, neste registo fica bem patente a percentagem de mulheres que dão o seu esforçado contributo ao lanço.
(torreira, companha do marco, 2011)

Aqui no Brasil, em especial no litoral potiguar no Estado do Rio Grande do Norte, é possível ver esse trabalho de força braçal. Os pescadores chamam de “rede de arrasto”, devido ao tipo de rede de pesca que é jogada ao mar, que se chama de “Arrastão”, nome esse que foi imortalizado em belíssima música de Edu Lobo e letra de Vinicíus de Moraes. No litoral do Nordeste Brasileiro, diferentemente do que acontece aí em Portugal, se registra a pouca presença de mulheres no trabalho braçal, sendo que na hora da colheita dos peixes, aí sim, essa presença se faz notar.
Já que falei de Arrastão, segue a letra da supracitada música, que foi imortalizada na bela voz e interpretação magistral da saudosa cantora brasileira, conhecida como “pimentinha” – ELIS REGINA. A música trata do sincretismo religioso brasileiro, e a exemplo das músicas de Dorival Caymmi, retratam o litoral baiano, como recorte do litoral nordestino.
ARRASTÃO
Edu Lobo e Vinicíus de Moraes.
Ê, tem jangada no mar
Ê, ê, ê, hoje tem arrastão
Ê, todo mundo pescar
Chega de sombra, João Jovi
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É, meu irmão, me traz Iemanjá prá mim
Minha Santa Bárbara
Me abençoai
Quero me casar com Janaína
Ê, puxa bem devagar
Ê, ê, ê, já vem vindo o arrastão
Ê, é a rainha do mar
Vem, vem na rede João
Prá mim
Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca jamais se viu tanto peixe assim
obrigado ivam