os moliceiros têm vela (164)


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meço o tempo pelo cansaço
por esta coisa chamada corpo
desistente quase de ser
dizendo-se a cada instante
sussurrando-se-me

é pelos olhos que regresso
e somos todos ainda
velas sobrevoando os dias
num bando de abraços

olhar é sentir ontem hoje
sentir só

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(murtosa; regata do bico; 2009)

os moliceiros têm vela (145)


vive e sonha

o equilíbrio natural da ria

o equilíbrio natural da ria

nada é tão certo
como a incerteza

sê tu no instante
em que a ave é barco
e os rios correm serenos
por entre margens largas

escuta o rumor do vento
a beleza dos flamingos

vive e sonha

o moliceiro "marco silva" desliza por um canal da ria, sob o olhar atento dos flamingos

o moliceiro “marco silva” desliza por um canal da ria, sob o olhar atento dos flamingos

(ria de aveiro; esteiros do bunheiro)

o

os moliceiros têm vela (133)


recuso este futuro

o "cristina e sara", do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

o “cristina e sara”, do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

não digo nada
nem bem nada mal
mostro o que vejo

digam-me que não devia
que não é este o postal

não digo nada
nem bem nem mal
mostro o que vejo

tem a força de ser real

lê tu o que eu vi
o que sentes?

eu vejo o futuro
que recuso aceitar

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

(murtosa; cais do bico; 2 de agosto de 2015)