os moliceiros têm vela (133)


recuso este futuro

o "cristina e sara", do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

o “cristina e sara”, do ti virgílio, espera pela maré para chegar ao cais. 

não digo nada
nem bem nada mal
mostro o que vejo

digam-me que não devia
que não é este o postal

não digo nada
nem bem nem mal
mostro o que vejo

tem a força de ser real

lê tu o que eu vi
o que sentes?

eu vejo o futuro
que recuso aceitar

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

não comento o estado dos portos de abrigo da murtosa, nem os milhões ali gastos com fundos comunitários e nossos. mostro o que vejo

(murtosa; cais do bico; 2 de agosto de 2015)

os moliceiros têm vela (131)


a de alfinete

o cambar ou a roda dos moliceiros

o cambar ou a roda dos moliceiros

hoje quero dizer-te
um segredo

não existo

poucos o sabem
mas eu não existo

sou uma assombração
no dizer dos antigos

vim para incomodar
não para existir

por isso o meu nome
começa por a
como alfinete

vê lá não te piques

quem sabe, domingo dia 2 de agosto, vamos ver outra roda assim?

quem sabe, domingo dia 2 de agosto, vamos ver outra roda assim?

(murtosa; regata do bico: 2007)

os moliceiros têm vela (126)


não escrevo mais

costuma ser no primeiro domingo de agosto......

costuma ser no primeiro domingo de agosto……

quando tempo havia
onde quer que estivesse
escrevia

quando morresse na lápide
palavras poucas
queria

não escrevo mais

desejo expresso e dado a saber
continuou a escrever
até ao dia

começam a ser memória

começam a ser memória

(murtosa; regata do bico; 2009)