os moliceiros têm vela (68)


do sonho

a beleza do chegar

a beleza do chegar

espero dos dias
o serem um a um
o caminho para

desconheço quando
onde porquê

parte-se sempre
chega-se por vezes

abro a porta e deixo
o vento entrar

sou o que ficou
e aprendeu a sonhar

o pintar da ria

o pintar da ria

(murtosa; regata do bico; 2009)

os moliceiros têm vela (64)


do social

a espera

a espera

caminham silenciosos
sensíveis que são ao ruído
dos primeiros passos

aparecem sempre sobre o tarde
dizem de sua justiça
o não dever ser assim como é

arriscam pouco cautelosos
no segundo lugar
da segunda fila a sua cadeira

são a sombra que bebe do sol
o terem voz breve avinagrada

gosto deles como de
certos animais

longe

inventar os  dias

inventar os dias

(murtosa; regata do bico; 2012)

os moliceiros têm vela (60)


deste estar aqui longe

quem espera ......

quem espera ……

por entre os dedos
voam palavras
rios pedras sentires

eu em tudo
eu em nada
eu por aí

por entre os dedos
tudo me escapa
tudo escorre
nada fica

uma imagem sorri
pede mais que silêncio
pede pede pede

e eu ….

a cor é acção.... como fazer?

a cor é acção…. como fazer?

(murtosa; regata do bico; 2007)

os moliceiros têm vela (55)


das palavras

uma imagem centenas de vezes repetida, mas que nunca cansa

uma imagem centenas de vezes repetida, mas que nunca cansa

gastar as palavras
como se coisas de uso
gastá-las de tanto

gastar-me com elas
ser palavra
sem palavras para

ser o espaço em branco
ou as reticências
seria o destino perfeito

ponto final parágrafo

um moliceiro que se preza é assim

um moliceiro que se preza é assim

(murtosa; regata do bico; 2007)