Nos livros de história da literatura portuguesa a presença desta poetisa é praticamente nula. Mulher e intelectual que, junto a Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, integra a vanguarda modernista portuguesa dos anos vinte do século passado. Mesmo assim, Judith Teixeira não deixa de ser um caso marginado das letras portuguesas.
Seu desafio era escolher o mistério do amor sáfico em versos de grande simbolismo e sensualidade nuna época de mudança dos paradigmas sociais impostos às mulheres. Para Judith o sexo não só indicava a dualidade do ser, mas sua bipolaridade e tensão interior. Para a sociedade portuguesa da época, a mulher era considerada como uma garantia para a reprodução dos valores morais e religiosos da sociedade. A aspiração social generalizada da maioria das mulheres era ser, como as das classes ricas, esposas e mães dentro da família, um modelo feminino que se estabeleceu na sociedade…
No blog de ahcravo gorim ( https://ahcravo.com ) ouvi pela primeira vez uma poesia da coimbrã Maria Azenha e, confesso, deixou-me muito intrigado. Encontrar um livro dela, apesar de uma produção intensa, é uma tarefa um pouco difícil. Mas, no final, com muita sorte, foi surpreendentemente possível.
Nesta pagina digital vou apresentar algumas poesias da autora tomadas do livro A casa de ler no escuro, edição espanhola bilingue da editora Trea, na tradução de José Angel Cilleruelo, Gijón, 2019.
Maria Azenha decide empreender com esta obra uma interpretação muito original da nossa realidade existencial em seus aspectos caóticos e violentos, em que a injustiça e a dor parecem ser a única certeza possível. Para descrevê-la, ela possui uma escrita enigmática que em alguns momentos pode se tornar mistérica e espiritual.
História simbólica sobre o teatro do mundo e prática duma palavra entendida como purificação na…