deixar morrer, recuperar ou vender para os canais de aveiro?
chega o dia em que conjugar os verbos no pretérito é forma quotidiana de falar dos dias somos mais o que fomos do que o que pensamos vir a ser
somos porque fomos e no que fomos o termos sido seja um sorriso hoje a saudade não cabe no tempo contado cabe no tempo a descontar por não haver tanto quanto houve
caminho cansado por vezes mas com os bolsos cheios de dias distribuo sorrisos quando digo de mim histórias que podem parecer inventadas mas que como eu
estão vivas
deixar morrer, recuperar ou vender para os canais de aveiro?
no cabeço da ria, dois homens cirandam (joeiram) ameijoa. longe de mim e eu deles
no joeirar do tempo
não encontro nenhum dia em que
o teu nome se não inscreva
dizer-me é dizer-te
ser é seres
a nitidez seria ficção
neste reler agora dos percursos
os anos somaram-se e nós neles ainda
cada vez mais carregados de memórias
risos lágrimas beijos ternura atritos
ilusões e desilusões
somos tudo
porque tudo fomos sendo
a perfeição fica para quem mentir
é uma certa forma de reinventar o passado
e (desen)cantar o amor
ofereço-te os sorrisos
e vou guardando as lágrimas
certamente não serei o que quererias
que tivesse sido
mas não é isso
o que acontece entre o filho que se fez
e o que a mãe para ele sonhou ?
moliceiro “dos netos”, à vara o seu proprietário, o ti abílio carteirista
os moliceiros sempre tiveram três formas de se deslocarem na ria:
– com vento, à vela
– sem vento
1- à vara 2- à sirga (ajudada ou não por vara)
sem vento e se andava por dentro dos canais da ria, onde a vara calava, um dos camaradas ia para terra, atava uma corda, a que se chamava sirga, ao barco (golfião ou onde pudesse) e os dois iam levando o barco.
se a falta de vento ocorria onde a vara não calava, era somente com a ajuda corda que o barco era arrastado pela ria. do nome da corda, à forma de tracção, ficou a designação: andar à sirga
moliceiro “dos netos”, à vara o seu proprietário, o ti abílio carteirista