uma mão
apenas uma mão
enorme porém essa
que se estende
quando
que estendo
se
que fala
por
que aperta
uma mão
nada mais
que uma mão
essa
a que me dás
uma mão
a minha
para ti
onde tu
já
falo dos
amigos
a apanha de bivalves na ria de aveiro é, nos últimos tempos, o ganha pão dos pescadores.
a enguia quase não existe, o choco este ano rareou, o linguado pouco é.
restam os bivalves….
análises pagas pelos pescadores num laboratório espanhol de referência, contraditam a interdição imposta pelas análises feitas pela entidade nacional de referência, o IPMA, e dizem que não há qualquer perigo no consumo dos bivalves. os bivalves apanhados na ria de aveiro destinam-se quase em exclusivo ao mercado espanhol.
no meio deste desencontro de resultados quem não sobrevive são os pescadores.
o vídeo da “Ribeirinhas TV”, com entrevistas a pescadores é elucidativo
o cansaço
pendurado do corpo
no peso de ser ainda
o suporte desta coisa de pensar
lentos os movimentos
procuram ser mais do que
todo o tempo é leve
e pesa como séculos
um homem
corre contra
lento
quase não
nunca desistente
o resistir
mais forte que o corpo
cansam-me os olhos
de ver
dos caminhos andados
aprendi a dizer o que penso
a não querer estar de bem com todos
se comigo de bem não estiver
(fácil seria não ser como sou para maioria ser)
quem quer estar de bem com deus
e com diabo
vai para o inferno pela mão
de deus
(isso digo há muito)
dos caminhos andados
aprendi que a verdade calada
vale menos que a mentira apregoada
estar vivo
não é deixar estar
é ser aqui
de olhos abertos
ouvidos atentos
e palavra pronta
incómodo
certamente
incomodo
não, não é o dia de dar os parabéns ao vencedor é, sim, o dia de abraçar os que acreditaram que era possível fazer diferente, por isso deram o rosto e, mais que ele, se deram por completo a uma disputa eleitoral de resultado incerto e de ganho pouco provável.
aos vencedores basta-lhes a vitória.
não foram os cargos que me moveram, foram as causas: melhores condições de trabalho para os pescadores da ria e do mar, sem nunca esquecer os moliceiros.
há mais de 40 anos na vida política activa, nunca me tinha candidatado a qualquer cargo, e se agora o fiz foi porque fui convidado por um homem bom, o jorge bacelar, e porque, do que conheço da realidade dos pescadores da torreira, pensei que poderia ser útil na construção de algo que fosse ao encontro dos seus desejos.
a amizade que existe entre mim e muitos dos pescadores da torreira, permitiu-me, durante a campanha, não só conversar com eles de forma franca e aberta, independentemente das inclinações partidárias, mas também deixar claro que as opções diferentes não interferiam nela.
aos que acreditaram e fizeram por isso, o meu abraço, aos que embora acreditando, votaram noutras listas, acreditem que estarei sempre convosco no que precisarem.
a vida continua, é o tempo que julga os homens e não o contrário.
cravo