pescadores da torreira manifestam-se contra interdição de apanha dos bivalves


a apanha de bivalves na ria de aveiro é, nos últimos tempos, o ganha pão dos pescadores.

a enguia quase não existe, o choco este ano rareou, o linguado pouco é.

restam os bivalves….

análises pagas pelos pescadores num laboratório espanhol de referência, contraditam a interdição imposta pelas análises feitas pela entidade nacional de referência, o IPMA,  e dizem que não há qualquer perigo no consumo dos bivalves. os bivalves apanhados na ria de aveiro destinam-se quase em exclusivo ao mercado espanhol.

no meio deste desencontro de resultados quem não sobrevive são os pescadores.

o vídeo da “Ribeirinhas TV”, com entrevistas a pescadores é elucidativo

ainda


 

torreira, marina dos pescadores

torreira, marina dos pescadores

 

o cansaço

pendurado do corpo

no peso de ser ainda

o suporte desta coisa de pensar

 

lentos os movimentos

procuram ser mais do que

todo o tempo é leve

e pesa como séculos

 

um homem

corre contra

lento

quase não

 

nunca desistente

o resistir

mais forte que o corpo

 

cansam-me os olhos

de ver 

de mim


 

ahcravo_DSC_2156_gaivota ria

 

dos caminhos andados

aprendi a dizer o que penso

a não querer estar de bem com todos

se comigo de bem não estiver

(fácil seria não ser como sou para maioria ser)

 

quem quer estar de bem com deus

e com diabo

vai para o inferno pela mão

de deus

(isso digo há muito)

 

dos caminhos andados

aprendi que a verdade calada

vale menos que a mentira apregoada

 

estar vivo

não é deixar estar

é ser aqui

de olhos abertos

ouvidos atentos

e palavra pronta

 

incómodo

certamente

incomodo 

o dia a seguir


o sonho não morre, voa sempre

o sonho não morre, voa sempre

não, não é o dia de dar os parabéns ao vencedor é, sim, o dia de abraçar os que acreditaram que era possível fazer diferente, por isso deram o rosto e, mais que ele, se deram por completo a uma disputa eleitoral de resultado incerto e de ganho pouco provável.

aos vencedores basta-lhes a vitória.

não foram os cargos que me moveram, foram as causas: melhores condições de trabalho para os pescadores da ria e do mar, sem nunca esquecer os moliceiros.

há mais de 40 anos na vida política activa, nunca me tinha candidatado a qualquer cargo, e se agora o fiz foi porque fui convidado por um homem bom, o jorge bacelar, e porque, do que conheço da realidade dos pescadores da torreira, pensei que poderia ser útil na construção de algo que fosse ao encontro dos seus desejos.

a amizade que existe entre mim e muitos dos pescadores da torreira, permitiu-me, durante a campanha, não só conversar com eles de forma franca e aberta, independentemente das inclinações partidárias, mas também deixar claro que as opções diferentes não interferiam nela.

aos que acreditaram e fizeram por isso, o meu abraço, aos que embora acreditando, votaram noutras listas, acreditem que estarei sempre convosco no que precisarem.

a vida continua, é o tempo que julga os homens e não o contrário.

cravo