mesmo sem mim
as manhãs
continuarão a ser
isso te deixo
a apanha de bivalves na ria de aveiro é, nos últimos tempos, o ganha pão dos pescadores.
a enguia quase não existe, o choco este ano rareou, o linguado pouco é.
restam os bivalves….
análises pagas pelos pescadores num laboratório espanhol de referência, contraditam a interdição imposta pelas análises feitas pela entidade nacional de referência, o IPMA, e dizem que não há qualquer perigo no consumo dos bivalves. os bivalves apanhados na ria de aveiro destinam-se quase em exclusivo ao mercado espanhol.
no meio deste desencontro de resultados quem não sobrevive são os pescadores.
o vídeo da “Ribeirinhas TV”, com entrevistas a pescadores é elucidativo
o cansaço
pendurado do corpo
no peso de ser ainda
o suporte desta coisa de pensar
lentos os movimentos
procuram ser mais do que
todo o tempo é leve
e pesa como séculos
um homem
corre contra
lento
quase não
nunca desistente
o resistir
mais forte que o corpo
cansam-me os olhos
de ver
dos caminhos andados
aprendi a dizer o que penso
a não querer estar de bem com todos
se comigo de bem não estiver
(fácil seria não ser como sou para maioria ser)
quem quer estar de bem com deus
e com diabo
vai para o inferno pela mão
de deus
(isso digo há muito)
dos caminhos andados
aprendi que a verdade calada
vale menos que a mentira apregoada
estar vivo
não é deixar estar
é ser aqui
de olhos abertos
ouvidos atentos
e palavra pronta
incómodo
certamente
incomodo