olho ainda e sempre
as mãos
como se nelas
o início
não trago novas
não as sei
há muito que caminho
tudo se repete
na ilusão
não trago novas
os nomes fui-os deixando
sobram alguns rostos
olhares mãos
palavras poucas
não trago novas
há muito que caminho
só isso sei
caminhar e perder-me
e é tanto
o pescador subirá para a bateira
onde o camarada o aguarda
partirão ambos a fazer a maré
eu
eu ficarei no cais mais um pouco
e regressarei a casa
são assim os dias
mesmo aqueles em que
não trago novas
(chegado, murtosa)
escrevo das margens
onde os olhos
marginais também
sou
mais um apenas
nos caminhos
por onde ando
desando
encontro desencontro
aí
nos apertamos as mãos
e dizemos
de nós
sem tempo de antena
nem pressas de
na margem
não à margem
debruçado sobre
bem por dentro
no côncavo
dos dias
na margem sempre
de onde se vê melhor
o centro
cirandar
este documentário encerra a série dedicada à apanha de amêijoa na ria de aveiro, nomeadamente no canal de ovar em frente à vila da torreira.
para a apanha, e recordando, são utilizadas duas artes- cabrita alta e cabrita baixa – e a vulgar apanha à mão ou com uma pequena ferramenta (garfo).
a primeira selecção dos bivalves – em tamanho e género – decorre das próprias cabritas, que são diferentes consoante se pretende apanhar berbigão se amêijoa (as utilizadas na apanha da ameijoa têm dentes maiores).
depois de apanhadas as amêijoas são depositadas no fundo da bateira. terminada a maré, é necessário lavar e fazer uma segunda escolha tendo em conta o tamanho pretendido pelo comprador. esta operação é feita utilizando uma ciranda (ver no vídeo as variantes), que não é mais que uma “peneira”, de forma rectangular, cujo fundo é formado por varetas de ferro ou aço inox (as mais modernas) que joeira as amêijoas. há-as de madeira e de metal, para serem operadas por duas pessoas e, mais recentemente, as que são feitas a partir de caixas de plástico de embalar fruta, a que é aplicado no fundo uma grelha de aço inox, e que podem ser manobradas por uma só pessoa.
convém dizer que não são baratas, são feitas por encomenda e que as distâncias entre as varetas dependem do tamanho mínimo das ameijoas pedido pelo comprador.
depois de cirandar os bivalves apanhados, é ainda necessário fazer uma escolha manual, por causa dos diferentes tipos de amêijoa que foram apanhados. os preços de venda e as encomendas reportam sempre a uma determinada variedade.
o processo termina com a deposição das amêijoas em sacos de 10 kg, fornecidos pelo comprador, que são entregues nas zonas acordadas, nos dias e às horas ditadas pelo comprador, que é quem define tudo, a começar pelo preço.
o vídeo