uma rua verde
um suspiro branco
um sentir azul
uma voz
percorre as cordas
irreverente e plena de
uma rua verde
um suspiro branco
um sentir azul
uma voz
percorre as cordas
irreverente e plena de
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no
amor como em casa.
de Ainda Não É O Fim Nem O Princípio Do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde(1974)”
perder a noção de
ficar assim pendurado
dos olhos
não ser e ser muito mais
do que
aqui tão longe de
a vida é
deixo-me ir
espero que voem
um dia
e me levem
por sobre tudo
ah! os flamingos
não é meia noite
antónio
são três dias
de vozes povoados
memórias desejos
silêncio angústias
não é meia noite
meio dia não será
toda a vida
correm
por dentro do silêncio
as vozes da noite
cercam-nos
esperar o nascer do dia
ou forçar a manhã
não resta alternativa
façamos o sol
à nossa medida
somem-se os dias
no desgaste rápido
de sermos. rente ao mar
deitamos o sonho
adormecer assim
é renascer a cada maré
no berço de uma onda mansa
não
não vejo a lua
o sol há muito
que se foi
fiquei só
eu o piano
e a magia da noite
com este post inicia-se a publicação de uma série de clips registados durante a vinda de manuel antónio pina à figueira da foz, nos primeiros meses de 2012.
momentos de conversa aberta que nos permitem conhecer o homem.
biografia:
Manuel António Pina (Sabugal, 18 de Novembro de 1943; Porto, 19 de Outubro de 2012) jornalista e escritor, galardoado em 2011 com o Prémio Camões.
O autor licenciou-se em Direito em Coimbra e foi jornalista do Jornal de Notícias durante três décadas. Nos últimos anos de vida foi cronista do Jornal de Notícias e da revista Notícias Magazine.
A sua obra é principalmente constituída por poesia e literatura infanto-juvenil. É ainda autor de peças de teatro e de obras de ficção e crónica. Algumas dessas obras foram adaptadas ao cinema e TV e editadas em disco.
A sua obra está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.”
poema:
“Café do Molhe
Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)
porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia
que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe
(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse
de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito
sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa
que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo. “
vem
vamos por aí
voando leves
nas notas
que os dedos
tecem com cordas
floriu música
um tapete voador de
de areia fina
límpidas as águas
onde peixes
moliço
jardins
mesmo no lodoso
fundo de hoje
há ainda espécies
que se recriam
e são alimento
ria de aveiro
mesa posta
a quem