massa, uma história de sucesso


 

massa, joaquim rodrigues

massa, joaquim rodrigues

o massa, joaquim rodrigues, é neto do arrais faustino, nascido na murtosa e arrais de renome em meados do século XX, com nome de rua na torreira.

mas não é esta a história que aqui quero deixar. é a dos pescadores e do vinho, uma relação explosiva e histórica, muito pouco entendida por quem devia olhar fundo a vida destas comunidades.

escreveu o almirante jaime afreixo, na revista “a tradição” de beja, um conjunto de artigos subordinados ao tema “Pescas Nacionais: A Região de Aveiro”, no qual, e cito de memória, faz referência a uma das formas de pagamento dos arrais aos pescadores:

a marinha

era paga antes do primeiro lanço do dia e era constituída por pão e um quartilho de vinho (meio litro) que podia ser reforçada, em dias de mar mais bravo, por uma dose de aguardente.

se considerarmos que nas companhas se entrava muitas vezes com 9 anos de idade, fica-se com uma ideia de como era feita a iniciação dos jovens no mundo do vinho.

no mesmo artigo, jaime afreixo, diz ainda ser normal que os arrais ou donos da companha serem também proprietários de tascas que forneciam o vinho.

falamos de finais do século XIX, princípios de XX.

o massa, conseguiu vencer o vício de anos e, sem quaisquer aditivos, cortou completamente com o álcool há já bastantes anos, e mesmo na companhia de amigos, nem uma cerveja…. tem sempre uma garrafa de água.

é de fibra este massa.

 

nota: ao citar de memória, posso ter cometido alguma menos correcta informação, mas a ideia fica

 

(torreira; companha do marco; 2010)

o bordão da regeira


 

 

o bordão e a regeira

o bordão e a regeira

 

ao largo já o barco, vencido que foi o mar, é tempo de arrumar os aprestos.

a corda que se vê presa à extremidade pontiaguda do bordão, de ter estado bem enterrada na areia, é a regeira.

foi recolhida pelo membro da companha que tinha como tarefa mantê-la tensa e desse modo perpendicular à vaga a bica do barco.

a regeira, relembro, é uma corda que é presa ao golfião de estibordo e impede que a corrente dominante de norte faça o barco atravessar-se.
(torreira; companha do marco; 2010)

o mar sempre


 

o maria de fátima a galgar a onda

o maria de fátima a galgar a onda

 

quantas vezes se faz
o barco
no fazer-se ao mar?
e os  homens
fazem-se?

ficar em terra
será destino outro
acomodado
de alguns

vencer a onda
ganhar o largo
ou pelo menos tentar
é desafio diário

ou morrer na areia

 

(torreira; companha do marco; 2010)

memórias de um almoço


 

dois bons amigos: nicole (falecido) e ti miguel bitaolra

dois bons amigos: nicole (falecido) e ti miguel bitaolra

 

a mesa
o respeito pelo pão
oferta merecida pelo trabalho
e a graça de deus
a fé e a coragem as armas
o respeito

a cabeça sob o sol inclemente
coberta sempre
descobre-se à mesa e na casa do senhor

não serei crente
mas crença maior não há
que a da gente do mar
a crença nestas gentes crente
é o abraço que nos une
rente ao mar

lavo-me neles

 

(torreira; companha do marco; 2010)

a caldeirada feita por mestres


 

os mestres cozinheiros: marco silva e agostinho trabalhito

os mestres cozinheiros: marco silva e agostinho trabalhito

 
os lanços da manhã deram raia, o almoço foi caldeirada.

o arrais marco silva e o agostinho foram os mestres cozinheiros, o resultado foi uma grande lanço sobre a mesa onde toda a companha se deliciou.

é tradição murtoseira que o cozinhar do peixe seja coisa dos homens, é tradição serem eles mestres cozinheiros de peixe. seja tradição ou não, o que é facto é que nuca comi caldeirada tão bem feita.

momentos como este são inesquecíveis

 

(torreira; companha do marco; 2010)