recriação da xávega com bois, praia da vagueira, 2008


 

 

é duro, é muito duro, arrastar um barco, mesmo se pequeno

é duro, é muito duro, arrastar um barco, mesmo se pequeno

 

a praia divulgada no livro “safra”, hoje indisponível nas livrarias, que constitui uma referência foto jornalística sobre xávega, dando a conhecer com detalhe a safra da companha do joão da murtosa.

em 2008, estava eu a fotografar na praia de mira, quando me disseram que ria decorrer uma recriação na vagueira com juntas de bois.

assim o ouvi, assim fui.

recriação com alguns momentos muito bons, mas com outros, já o disse que foram pura diversão sem recriação.

este é um momento de recriação. já mostrei outros e ainda mais aqui virão

 

(praia da vagueira; 2008)

marco valente


marco valente "marquito"

marco valente “marquito”

 

o “marquito” para se diferençar do arrais marco. teria nesta altura 17 anos e o mar já lhe era familiar como se coisa de brincar. era, e é, de ir a todas, desde que o deixem.

a ele devo a designação que me integrou definitivamente na companha, quando no fim das minhas férias me perguntou:

– agora para onde é que vai, ti cravo?

não é fácil adquirir este estatuto, não se tira em nenhuma universidade que não a da vida. o grau de “ti” só os mais velhos, que merecem respeito e são da nossa gente, a ele têm direito.

obrigado marquito por me teres incluído na família

 

(torreira; companha do marco; 2010)

xávega, o saco, as nassas e as caixas


 

 

 

o arrais marco  silva a apanhar peixe com uma nassa

o arrais marco silva a apanhar peixe com uma nassa

 

o peixe é apanhado do saco, no canto inferior esquerdo ainda se vê o porfio, com a ajuda de redenhos, com aro de metal, as nassas,  e despejado para caixas grandes.

depois é espalhado no atrelado ou num oleado, e escolhido para caixas mais pequenas – cerca de 10 kg cada – por tamanhos e espécies.

para ir para a lota o peixe tem de ser lavado, e há duas formas de o fazer: num depósito grande com água do mar, de onde é retirado com caixas de carregar fruta (por causa das aberturas por onde sai a água), ou colocado dentro destas caixas, que são depois mergulhadas em água.

depois de lavado o peixe é finalmente colocado dentro de caixas de plástico com capacidade para cerca de 10 kg, cada.

(torreira; companha do marco; 2010)

xávega, a cavala


saco cheio de cavala

saco cheio de cavala

já o disse noutra altura que onde anda cavala, não há carapau, porque foge de ser comido. um lanço de cavala não é um lanço rentável, porque o mercado de consumo directo e da restauração, não a valorizam e o grande consumidor, o mercado conserveiro, depressa fica saturado e paga a preços baixos.

quando o salmão está na moda como peixe saudável, os inconvenientes do seu consumo já foram divulgados pelo investigador do ipma,Carlos Cardoso, na conferência do dia mundial da alimentação, em 2012, em na fundação calouste gulbenkian, alertou para o facto de este peixe, embora rico em ómega 3, também o é em ómega 6, ácido que tem um efeito pró-inflamatório em muitas doenças.

na mesma conferência o investigador catalão, José Domingo aconselha o consumo de peixes que “até têm um preço económico” como a sardinha, a cavala, a anchova, o biqueirão, ou de moluscos como a lula e o polvo….”. ver a notícia em:

 

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/porque-e-que-e-melhor-comer-sardinha-do-que-salmao-1567566

 

uma das formas de apoiar os pescadores das xávegas da nossa costa passa pela promoção de pratos saudáveis que tenham por base a cavala.

é um desafio aos empresários de restauração das praias onde a xávega ainda se pratica. na figueira da foz, onde a cavala é proveniente da pesca das traineiras, esta promoção já é feita a nível local.

enviem-me receitas de pratos com cavala, acompanhadas de fotos, e eu divulgá-las-ei

 

(torreira; companha do marco; 2010)

 

xávega, o porfio


 

o agostinho trabalhito a cortar o porfio

o agostinho trabalhito a cortar o porfio

 

o saco do aparelho da xávega, é parcialmente fechado/cosido com uma linha mais grossa, de nylon, o porfio.

no fim de cada lanço o porfio é cortado para melhor se tirar o peixe e, depois de esticado na areia e seco o aparelho, porfia-se/fecha-se de novo o saco.

neste registo o agostinho tabalhito corta à navalha ( das que cortam como manda a lei ) o porfio, que ele depois voltará a coser.
(torreira; companha do marco; 2010)

o saco e a calima (1)


 

delmar viola

delmar viola, a desamarrar a calima

 
preso à extremidade do saco está o arinque/bóia que o sinaliza, a calime/a.

quando o saco chega à praia e está ser rebocada para lugar seguro, no momento em que a sua extremidade se torna visível, é preciso desamarrar a calime/a.

é isso que o delmar viola está a fazer

 

(torreira; companha do marco; 2010)

a fala silenciosa dos bois


 

 

mansa força bruta

mansa força bruta

 

somos agora outros
não tantos
não tão possantes
marinhões ainda
força
mansa e bruta
bois juntos
juntas de

memória de ter sido
nos genes tão só
cuidai disso quando
de nós quiserdes
o que fomos
sem o sermos

reviver não tem de ser
sofrer

(recriação da xávega, torreira, setembro 2013)

o chegar do saco e a calima


 

lá ao fundo a calima(e)

lá ao fundo a calima(e)

 

 

o lanço está quase terminado, falta só ver o que deu.

o saco chega à praia, ao fundo vê-se a bóia, “arinque” que assinala o fundo do saco e que aqui, como na antiga xávega da costa algarvia, se chama “calima” ou “calime”

 

(torreira; companha do marco; 2010)

barrancos na praia


 

 

agostinho trabalhito

agostinho trabalhito

com as marés vivas de s. bartolomeu, muitas vezes criam-se na praia autênticos barrancos.

os tractores têm de ficar no cimo enquanto as redes vêm pelo areal, rente ao mar. os homens, então crescem, esticam-se e cumprem as suas tarefas.

neste registo o agostinho está a amarrar a corda de alar antes do calão para que este não passe pelo alador.

força, agostinho!

 

(torreira; companha do marco; 2010)