humedeço
os dias
com os olhos
pelos dedos
escorrem
salgadas
palavras
onde poisar
o rosto
gretado
(falo de ternura)
um silêncio azul povoado de bruma e mãos
os rios inventam o leito
e morrem ao longo das margens
não há destino avesso a naus e marinheiros
o mar soa por entre os pinheiros
num marulhar de caruma
um sabor a sg ventil nos lábios
sabes
o desejo nunca cabe num só corpo
e depois
para tanto ser uma pequena tenda basta
estou assim
piano
moltissimo
estou assim
piano não sei de chão
dessa coisa chamada terra
onde os pés o corpo
poisam
assim mesmo como se
talvez quem sabe tu?
não sei se porque
não te sei também
aqui sou tudo
sou tudo
e não sou ninguém
o piano
leva-me nos braços das notas
ao encontro da noite longuíssima
onde outrora a ternura
tingia de cores garridas
os lençóis
loucos
foram os tempos
e eu