o que tu nunca lerás (IV)


ao longe, muito ao longe

 

não
não escrevo o teu nome
seria (escre)ver-te
e eu quero-te assim
para além da degradação
que o tempo sempre
traz

quero-te a menina
de há 40 anos
num baile de verão
num abraço sem tempo

trazias as palavras
que eu não sabia
ensinaste-me
” a pedra do reino”

e a jóia eras tu

não
não escrevo o teu nome
sequer o murmuro
deixo que corra pelo silêncio
o grande silêncio onde moram
as palavras nunca ditas
mas com que sonhamos
todos os dias

até sempre

aos vencedores anónimos


um homem novo

ninguém pode desconhecer que a droga mais consumida, legal e mortífera, em portugal, é o álcool.

o seu consumo em excesso é uma das principais causas de morte no nosso país, quer directa, quer indirectamente.

as comunidades rurais e piscatórias são das mais afectadas por este flagelo. por isso, quando alguém se consegue libertar do seu consumo é uma vitória com uma dimensão muito superior ao que qualquer de nós pode imaginar.

nos últimos anos a torreira tem assistido a vencedores silenciosos na batalha contra o consumo. são homens que conseguiram por vontade própria abandonar totalmente o álcool.

são homens novos, remoçados e sorridentes. estão mais vivos que nunca e são felizes como não se lembram de o ter sido.

a todos aqueles que por este país estão em luta para deixar o consumo, ou já o conseguiram, quero deixar a minha homenagem com o retrato de um grande amigo que hoje aqui publico.

este é um vencedor anónimo, um herói silencioso, sorridente, humilde e sem medalhas, que não as que a si próprio todos os dias apõe.