memória do além tejo_encontro de olaria do redondo_junho 1981


 

 

quanto ficou por dizer

em tudo o que fizemos

 

bêbados de alegria

percorríamos as ruas

as tascas eram o santuário

do nosso encontro

 

dáva-mo-nos as mãos como velhos amigos

tudo partilhámos

sabido que é

que tudo quanto é belo

cedo morre de loucura

 

com a mesma sofreguidão

com que virávamos cervejas

sorvemos estes dias que recordo

como se fossem anos

e fizeram de cada um

um outro ainda muito diferente

só porque soubemos estar  juntos

 

(30 anos depois, a memória dos dias vive)