tu


 

o moliceiro do mestre zé rito, espera, ao longe, no seco, a vida

o moliceiro do mestre zé rito, espera, ao longe, no seco, a vida

 

não te agarres ao que foi
o ter sido lhe basta
o que há-de ser
sê-lo-á mesmo se sem ti
só agora
aqui
aquietado o tempo
és

não deixes que a ilusão
do amanhã
seja o teu tempo sonhado

repito
hoje agora já
és

tu

 

(torreira)

olho a ria e penso a urbe


a bateira do marco (fátima m.) abraçada por um velho moliceiro
gastam o tempo em estarem vivos
sem fazerem coisa outra
que isso mesmo

começam o dia quando

sentam-se nos cafés
lêm os jornais com a bica
as necrologias em destaque
depois da tensão
ou o inverso
que importa

falam do porquê de estar assim
aqui tudo onde eles também
e pelo falar se ficam que mais
já tempo foi de
agora outros que

perseguem a vida pelo puro prazer de
nada para além dela
que dela pensam saber o que fazer
nada

têm por projecto o estarem vivos
isso lhes basta
que coisa dura esta de estar por aqui

vivos ainda

 (torreira)