os moliceiros têm vela (26)


és tu

(a muitos amigos)

homens e barcos, o mesmo nome, a mesma luta

homens e barcos, o mesmo nome, a mesma luta

escrever com erros
não é ser menos
é não ter tido como

erro é escrever sem sentir
só para mostrar
que se sabe juntar palavras

erro é esperar que escrevam
para escrever
erro é ser “escriba à janela”

escreve meu amigo
diz o que no ser te vai
que és mais muito mais

és tu

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(torreira; regata s.paio; 2013)

postais da ria (42) – moliceiros, uma memória condenada?


como é enorme o pequeno moliceiro do ti virgílio!

como é enorme o pequeno moliceiro do ti virgílio!

ao contrário dos rios
correr para a nascente
procurar na rocha
os cristais de água

recusar a ilusão
desconstruir a máscara
por mais bela

escutar o silêncio
por demais repetido
onde se acolhe a voz da razão

não ser teu o tempo
onde a tua voz
será o melhor tempo

vê bem quando olhas
diz o que pensas
calar é

há quem sorria só hoje

isto são moliceiros

isto são moliceiros

(regata de moliceiros, s. paio, torreira, setembro, 2014)