anda


 

porque me prendes?

 

deixa-me ser

eu sou tu dentro de ti

não me ouves?

não me sentes?

não me ignores

 

sou eu, não me negues

sou tu, deixa-nos voar

somos tão leves

porque me prendes assim?

tens medo?

 

anda, vamos

tu, eu, nós

 

tão simples

se abrires as janelas de ti

espreitares lá para dentro

e sairmos as duas

de novo

como quando éramos uma só

 

anda

vamos saltar à corda

da vida

posso?


 

maravilha esta música

nas janelas escrita pela chuva

 

quando a água cai do céu

fico assim parada no tempo

de sentir tudo

vontade de mãos para além do vidro

onde a terra as chama

desejo de sentir no corpo

a escrita da chuva

nas poças de água

os pés a correrem sem mim

 

mãe

quando chove

apetece-me abrir a porta

e ir dançar ao som desta música

de água que o céu deixa cair

posso?

toca-me


 

(toca-me que tenho medo_sofia carvalho_blandisca)

 

sinto-me tão indefesa

tão só em mim

quero apenas

que me toques

um sentir-te

mesmo que não sintas

 

tenho medo do escuro

de ser tão pequena

e as noites tão grandes

 

lembras-te de quando me falavas

do sótão?

lembras-te do papão

que lá morava?

 

eu lembro-me

por isso tenho medo

(essas histórias não deviam existir

não deviam ser contadas)

 

toca-me agora

sim

toca-me agora que tenho medo

 

o recreio lá fora


o recreio lá fora

 

espero-te

eu sei que vens

elas brincam

eu esqueci-me

de como

 

deixei

as brincadeiras

penduradas dos teus

braços

 

vejo-te

ainda a sorrir

só eu te vejo

sou só eu a sentir

 

a boneca que me deste

era de trapos

mas tinha dentro

o teu coração

 

fico assim como se a olhar

para nada

e tu

tu estás lá dentro

aqui

 

foto de sofia carvalho (blandisca)

http://www.facebook.com/scarvalho2