mariscadores da ria de aveiro


duvida

é natural que o sintas

o real começa a deixar de o ser

a beleza é sublime demais

estranho

muito estranho

estranhamento belo

 

tão estranho

quanto real

tão belo

quanto duro

tão feérico

como viver da ria

 

é uma existência não existente

uma estranha forma de ser

ave e lavrar a lama

nisto se fazendo gente

pairar sobre as águas

será sonho

mas quem pode evitar

o sonho de voar?

 

fica na dúvida

guarda-me a teu lado

um lugar

fiquemos assim ambos

sentados sem saber se

é o real que estamos a olhar