manuel vieira água a lua


manuel vieira água a lua

                                                      manuel vieira água a lua

 

é de mar que falo

quando digo

 

o sal queima

 

e deixa em mim este sabor amargo

de ser salgada também a água

que me corre nas veias

 

 

quando à noite na tasca

as espadas são trunfo

e o copo de tinto

o ás sobre a mesa

é ainda o mar que dita a sorte

 

teresa trabalhito


 

teresa trabalhito

nada tenho

e tudo possuo

é esta a minha riqueza

sou feliz aqui

onde mar me faz sentir

gente

me chama pelo nome

enche de sal e areia

cobre de escamas oiro prata

atiro-me à água

vestida se preciso for

se a rede o pedir

se o barco quiser

se me apetecer

sou feliz aqui

à beira mar nada

e criada

mulher feita de sal e mar

é este o sorriso

que tenho para vos ofertar

 

joão da calada


joão da calada

nunca lhe soube o apelido, só a alcunha.

muito do que sei, devo-o a ele. técnicas de pesca de xávega, identificação de pescadores …. sei lá.

dono e arrais do barco que foi o primeiro amor, o “óscar miguel”, que infelizmente veio a ser queimado. era um belíssimo barco, feito pelo mestre gadelhas de mira.

antes disso tinha trabalhado com a robaleira “srª da conceição”.

arrais de velha cepa, mantinha a tradição antiga de cada dono de barco ter uma “tasca” onde os pescadores se aviavam, ainda hoje a tasca existe, na rua mais ao sul da torreira e é ponto de encontro de antigos pescadores. ir à torreira e não visitar o joão da calada é perder o que de mais tradicional ainda existe no ramo.

hoje o joão divide-se entre a tasca e o reparar das redes da companha do pepolim, que trabalha ao sul do molhe sul da torreira e de que é arrais o chico “de ovar” como é conhecido na torreira.

um abraço joão

(torreira_anos 90)