à memória do arrais zé murta; torreira; 2009
pega-se a alcunha à pele
perde-se o nome por entre
documentos que atestam
o ser ele ainda um outro
que é também aquele
porque é conhecido
na praia
ir até onde tudo começou
descobrir o porquê
a história por detrás
do ser esse o nome porque
és conhecido
porque te chamei desde sempre
é matéria para outra safra
digo cebola
e há um sorriso poisado numa bicicleta
que me responde
isso sei
(torrira; companha do marco; 2010)
o tempo
meu amigo
não pára
não espera
não se cansa
paramos nós
paraste tu
foste-te no tempo que fica
ficas neste momentos
resguardados
do tempo que passa
vejo-te ainda neste tempo
onde o teu rosto
permanece
e é memória de teres sido
estranha forma esta
de congelar o tempo
e os amigos
serem nele sempre
os mesmos
de quando foram
aqui
continuas a sorrir