fazer pelo hoje


 

 

como era duro

como era duro

 

 

foi-se o tempo
regressam os dias
a isso chamam
recriar

recreiam-se alguns
com o recriar
na contemplação
do como era
tudo sobrevoam
sem poisar no ter sido

não
não era assim
era

vêm de longe
ver o que nunca viram
e vão sem terem visto
porque nunca nada é
o que foi quando foi

é tempo de recuperar a memória
de recriar
seja este o tempo de
preservar o presente
para que não seja ele também
passado já

os que da xávega vivem
dir-vos-iam isto
se fossem mais que pescadores

 

(torreira; recriação da xávega com bois, setembro 2013)

 

 

do hoje


 

 

torreira, havia bois no mar

torreira, havia bois no mar

faz-se a memória
do ser e do sentir
do estar e do ter estado
do querer e do saber
todo o dia será memória
se memória do dia se fizer

és o que foste
serás o que és
em ti nada começa
e nada acaba
és apenas tu

nunca apenas foi tanto

contamos contigo
para continuarmos a ser
mais que memória lembrada
a vivida sentida sabida

vida
(torreira, no tempo dos bois, a memória aqui)