crónicas da xávega (78)


para o jorge bacelar

aparelhado o barco espera a partida

aparelhado o barco espera a partida

mais do que horas
foram os momentos
os abraços por dentro
os sorrisos o sermos

descobrir o vento
por dentro das imagens
fazê-las voar para outros céus

a amizade a partilha

há homens que trazem
o mar espelhado nos olhos
e o ofertam para longas navegações

o barco está preparado para largar
esperemos que seja um bom lanço

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(torreira; barco de mar maria de fátima)

crónicas da xávega (75)


continuo a caminhar

a grandiosidades do pescadores, mesmo se nas mais humildes tarefas

a grandiosidades do pescadores, mesmo se nas mais humildes tarefas

admiro os que a palavra vestem
como se coisa de usar fosse
consoante o momento o local
a audiência

admitem a inexistência da memória
julgando-se senhores do saber
do dizer e fazer constar

curvam-se perante eles os que
pretendendo vir a ser
mais não serão
que o terem sido úteis  quando

vivem todos de ilusões
sorrio e continuo a caminhar

o meu amigo horácio, de poucas palavras, mas todas acertadas

o meu amigo horácio, de poucas palavras, mas todas acertadas ( a porfiar o saco )

(torreira; companha do marco; 2012)