deixem-me respirar
há quem sinta falta de ar
eu sinto falta de mar
deixem-me respirar
(torreira; companha do marco; 2012)
para o jorge bacelar
mais do que horas
foram os momentos
os abraços por dentro
os sorrisos o sermos
descobrir o vento
por dentro das imagens
fazê-las voar para outros céus
a amizade a partilha
há homens que trazem
o mar espelhado nos olhos
e o ofertam para longas navegações
o barco está preparado para largar
esperemos que seja um bom lanço
(torreira; barco de mar maria de fátima)
continuo a caminhar
admiro os que a palavra vestem
como se coisa de usar fosse
consoante o momento o local
a audiência
admitem a inexistência da memória
julgando-se senhores do saber
do dizer e fazer constar
curvam-se perante eles os que
pretendendo vir a ser
mais não serão
que o terem sido úteis quando
vivem todos de ilusões
sorrio e continuo a caminhar
(torreira; companha do marco; 2012)