crónicas da xávega (113)


é este o meu tempo

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o sérgio e o ricardo, filhos do arrais marco silva

escrevo mar e amor
por dentro das palavras
vida a pulsar em mim

imagens sons cheiros
barcos homens mulheres
ondas gaivotas peixe

voo devagar por sobre tudo
como se o sol nascesse
sempre

é este o meu tempo

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os irmãos sérgio e ricardo, carregam um dos braços de aço da muleta

(torreira; companha do marco; 2015)

 

crónicas da xávega (109)


falo a língua do sal

a escolha é sábia

a escolha é sábia

não digo da pedra
que é água
do vento que areia

digo-te que o que é
não deixa de ser
só porque o nomeias
de forma diversa

lutei pelos dias claros
em todos os olhos
não semeies nuvens
onde sol poisou

falo a língua do sal

saber escolher é saber do ganho

saber escolher é saber do ganho

(torreira; companha do marco; 2012)

crónicas da xávega (99)


nota dos dias que correm

o agostinho desata o arinque do calão

o agostinho desata o arinque do calão

ontem morreram quatro pescadores num arrastão à entrada da barra da figueira. problemas de concepção da barra.

ontem um locutor de televisão tentou assassinar o bom nome de um cidadão. problemas de concepção do mundo.

hoje não sei que país é este onde tudo isto pode acontecer e ficar impune.

a realidade tem muitas cores e todas são belas

a realidade tem muitas cores e todas são belas

(torreira; companha do marco; 2014)