de uma menina de 14 a anos que conheci na feira do livro da figueira (férias com livros) e a quem ofereci o meu livro “este é o meu infantário”, recebi a nota que transcrevo
” Caro Sr. António cravo;
Como eu disse anteriormente eu vou escrever um comentário mais pormenorizado do seu livro.
Eu achei muito importante o facto do seu livro homenagear os seus antepassados, honrar o seu passado e a sua terra no prefácio. Também não sabia que tinha acontecido um naufrágio no dia 23 de outubro de 1880 na Praia da Torreira.
Além disso, eu gostei do facto de este livro ser ilustrado com fotografias, porque quando for grande eu também quero ilustrar o meu livro com as minhas próprias fotografias (porque eu gosto de fotografia até tenho a minha própria máquina).
Na minha opinião, apreciei o facto de falar nos pescadores, porque eles são pouco valorizados hoje em dia. Apesar dos pescadores nos darem o peixe para nós comermos e de muitos desaparecerem no mar.
Os meus poemas favoritos do livro foram os poemas da página 50 e 46.
O poema da página 50 fala de uma coisa que eu nunca pensei antes e deixou-me muito curiosa que os bois quando vão para o talho tornam-se vacas e apesar de trabalharem arduamente são pouco valorizados nem no prato, coitados.
Os versos da página 46 falam de coisas pouco evidentes, mas sérias. Apesar dos pescadores irem buscar arduamente a nossa comida ao mar, um dia ficará só o mar. Ou seja todos nós vamos ter um fim.
De 1 a 5 eu daria 5 ao seu livro.”
que tal?

Bravo. A rapariga está a tomar consciência do mundo que só a leitura pode desvendar. Parabéns, António.
escreve poesia e diz muito bem. espero um dia contar com ela
Sim, concordo plenamente contigo António, e até reforço essa ideia com o entusiasmo de quem já viu o poder transformador da literatura. Esta rapariga tem tudo para ser estimulada nas leituras. Aconselho que lhe dê títulos de autores que não tenham medo do real, que saibam capturar a complexidade da vida sem a simplificar ou adornar com falsos brilhos.
Acho que a sensibilidade dela está mais virada para a descoberta da poesia, e aí o caminho é fértil e indispensável. Ela aprenderá que a poesia não foge do mundo. O simples acto de entregar um livro com entusiasmo já é um gesto de confiança na inteligência e na curiosidade dela. Assim, a literatura deixará de ser uma disciplina escolar para se tornar um vício saudável.