memória_21112009


a memória dos dias
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uma memória do além tejo; portalegre; 2007

 
 
sentam-se logo pela manhã
atrás dos vidros
acordam os pássaros fronteiros
 
fazem a lide
a renda e a roupa
falam sozinhas
(ouve-se ao longe a rádio)
 
abrem a janela
trocam notícias fazem jornais
saberes antigos de outras tipografias
foram elas que
inventaram as rádios locais
 
passam a ferro
limpam o chão
sentam-se de novo
 
quando querem
da rua
ninguém as vê

os moliceiros têm vela (414)


hoje ontem amanhã
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torreira; regata da ria; 2020; ti zé rebeço

 
sabes que o teu tempo
passou
ainda não completamente
mas
 
os teus olhos vêem por dentro
das coisas e são a memória delas
 
não queres o regresso ao passado
mas que ele se sente contigo à mesa
com amigos mais jovens
a quem passes testemunho
 
o que os teus olhos viram
toda uma geração que viu
 
és ainda
olhas a ria não como
se te despedisses
mas bebendo do copo
até à última gota
 
sentemo-nos
há gente a chegar
à tua mesa
 

“não há coincidências”, uma estória a três


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joaquim namorado, leonora rosado e eu, estórias de quem esteve – e ainda está – vivo

 

“O dia da Criação” (I e II) de vinicius de moraes


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os conjuntos I e II do poema “O dia da Criação” fazem parte do livro “Poemas, sonetos e baladas” e constam da antologia poética e de tantas outras selecções de poemas de vinicus de moraes

(há 40 anos que vinicius partiu. saravá vinicius!)

 

os moliceiros têm vela (413)


a outra regata
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torreira; regata da ria; 2020

 
é esta a marca do dia
do ano
que esperamos
este só
 
a memória faz-se de
pequenas coisas
e de grandes gestos
 
há tantos meses
abraço nenhum
 
escrevo o dia
e o nele ter estado
dentro de um abraço
os amigos maiores
 
escrevo o dia
esperando escrita diversa
 
um tempo outro
sem máscaras
libertos afectos
 
até lá o que foi será
e não o apagarei
mascarando as máscaras