já virado à ré, e seguro por agostinho trabalhito “canhoto”, o saco
(companha do marco; torreira; 2010)
ser quase nada
para quase tudo
e
quase tudo
para quase nada
o meu nome
são vários
e um só
pensionista
reformado
funcionário público
para mim tudo
é
transitório
em trânsito para definitivo
queria dizer-te
outras coisas deste país
mas os coelhos comeram as flores
um dia virá
e será breve
em que almoçaremos coelho
para ter o prazer de o vomitar
a seguir à manga da mão de barca, como já se disse, é aparelhado o saco.
por vezes, quando a rede é colocada sobre a zorra, depois de seca, o saco não fica na posição correcta e é necessário, ao aparelhar inverter a posição – em vez de estar virado à ré, ficou virado à proa.
(torreira; companha do marco; 2010)
em cima da zorra, seca e quase sem areia, a rede, que será disposta do lado da ré do barco
por cima a manga da mão de barca, vê-se em torno da zorra o saco, e por baixo a manga do reçoeiro.
enquanto um dos membros da companha vai levantando as redes, os restantes “abrem” e desemaranham as malhas.
trabalho pesado e com muita arte, como tudo o que se quer bem feito
(torreira; companha do marco; 2010)
no aparelhar, a disposição do aparelho no barco é fundamental para que o “largar”, durante o lanço, decorra sem problemas.
a sequência de largar é: cala do reçoeiro; manga do reçoeiro; saco; manda da mão de barca; cala da mão de barca.
neste registo é a “manga da mão de barca” que entra no barco, seguir-se-á o “saco” que será amarrado à bica da ré e irá assentar na “cala da mão de barca”, que já está por debaixo do traste e à meia proa do barco, depois a “manga do reçoeiro” e, finalmente, a “cala do reçoeiro” sobre todo o conjunto.
aqui, um espreitar para o por dentro.
(companha do marco; torreira; 2010)