a muleta
apontado o barco ao mar, é hora da muleta, apoiada numa peça metálica da bica da ré, ser erguida para engatar no tractor e empurrar o barco.
muleta de um, fardo de outros. até no mar
à memória do arrais zé murta; torreira; 2009
aparelhar o maria de fátima
os rolos de cordas que, ligados uns aos outros constituem as “calas”. o aparelhamento das calas tem de ser feito de modo que o “largar da rede” decorra normalmente.
operação que, como todas as outras, requer saber e atenção
torreira; companha do marco; 2009
2005 foi o último ano de funcionamento da companha do manel dias, na torreira, que abriu falência no final da safra.
o s. pedro ficou em terra, no extremo sul da praia, junto ao final da estrada. ali permaneceu até que o falecido arrais zé murta o adquiriu, reparou e rebaptizou com o nome de “olá s. pedro”, dando assim alguma sequência ao “olá sam paio” de que era dono.
2009 foi o primeiro ano em que o “olá s. pedro”, recuperado pelo mestre felisberto, se fez ao mar com o seu novo dono.
mais tarde – ainda em 2009, segundo maria murta – e ainda em vida de zé murta, foi vendido a uma companha do pedrógão, onde ainda trabalha.
concebe o silêncio
como uma música onde as palavras
se buscam e purificam
escuta-o
sente como são belos estes momentos
em que o silêncio te rodeia
sê parco nas palavras
e grande nos actos
cresce para o silêncio
um dia
sim um dia
ele crescerá para ti
até lá
que descansássemos em paz
isso desejava
os ganchos vão ser engatados nos arganéis para que o barco comece a ser puxado pelo tractor.
os movimentos têm de ser rápidos e precisos, qualquer descuido, qualquer movimento do barco provocado pela corrente de norte ou por uma onda traiçoeira, pode apanhar os homens e não seria a primeira vez que pernas seriam esmagadas.
tudo aqui é vivido ao momento