entre paredes quatro
janelas algumas
a cidade
casas
invento e recrio
nada é o que foi
o que era quando
tudo é possível
ser ainda mais
porque tanto
o tempo doira os dias
recrio
recreando-me
(regata da ria, 2010)
como queres que entenda
o que dizes
se do riscado disco
mesmo depois de feito reparo
continua a ouvir-se na sala velha
da velha dama
a antiga canção do bandido
não como números
não os visto
queres que os dê ao pequeno almoço
às crianças e ao almoço ao idosos
os sirva de jantar nas ruas aos sem abrigo
na janela dos teus olhos
só se pendura roupa suja
da tua boca pingam nacos de toucinho velho
come-los tu e dá-nos os teus manjares
isso sim entenderia
entenderíamos
não prestas como vendedor
mas sei como te compraram
(regata da ria; junho 2010)
a história da ria
escreve-se com m
de moliceiro
o barco menina
donzela de luxo vestida
o barco de cintura fina
como as raparigas da
murtosa
foram o ganha pão
de tantos
o moliço a maior fonte
de riqueza da ria
moliceiro
é caso raro
é nome do barco
e do homem que nele
escrever-se-á
sempre com m
mesmo se
memória só um dia
(torreira; regata de s. paio; setembro, 2101)
pisam um palco
que sempre foi seu
jardineiros de um jardim
ora submerso
ora flutuante
são os mais belos
barcos do mundo
as mulheres dos barcos
machos do mar
esbeltos oferecem-se
ao casamento manso com
as águas virginais
(em tempo diria)
da ria
são tão belos
quanto usados
e desprezados
pelos que os usam
como emblema
orgulho e amor de quem os tem
por filhos e amantes
os cisnes da ria
já são poucos
precisa-se de homens
com h
(bico; murtosa; regata de moliceiros)
na regata deste ano participaram cerca de 15 barcos, entre grandes e pequenos.
os primeiros classificados.
1 º – Moliceiro S. Salvador – timoneiro, Marco Silva
2 º – Zé Rito – timoneiro, Mestre Zé Rito
3 º – A. Rendeiro – timoneiro, Ti Zé Rebeço
registe-se a presença do barco “Amador”, um barco recuperado e propriedade do construtor Mestre Felisberto
ganhar uma regata de moliceiros depende não só da mestria na condução do barco durante a regata, mas também da escolha da vela com que se corre. os moliceiros têm velas de dois tamanhos, escolher a maior é um risco se se levanta vento forte durante a regata, por isso muitas vezes é utilizada a pequena, por segurança. a utilização da vela maior é um risco assumido em caso de vento forte, mas um passo grande para a vitória caso o vento amaine; penso que a aposta do Arrais Marco Silva na escolha da vela maior, assumindo todos os riscos inerentes foi compensada pela vitória na regata.
como diz o povo ” quem não arrisca, não petisca”
grande prova fizeram também os 2º e 3º classificados, mas as fotos mostram alguns dos momentos mais disputados.
também nesta regata um barco se virou, o manuel silva, e nesses breves momentos a máquina estava virada para o sítio certo.
de tudo fica aqui um pouco
o vencedor
o estreante
algumas personagens
momentos da regata
alfredo miranda no seu melhor
o moliceiro virou
a bordo: manel valas, joão rodrigues e russo
às 16 horas do próximo sábado dia 7 de agosto, pelas 16 horas, vai ter lugar a tradicional regata de moliceiros, do s. paio.
não sei quantos estarão presentes, sei que pelo menos o moliceiro “dos netos” do ti abílio “carteirista” não estará presente, como forma de protesto contra o facto de ainda não ter recebido os prémios da regata da ria, conforme post https://ahcravo.wordpress.com/2013/08/31/regatas-de-moliceiros-na-ria-de-aveiro-uma-morte-anunciada/ e ainda por cima ter sido multado.
ao tio do mestre felisberto, domingos “caçoilo”, que entretanto faleceu, seu habitual camarada nestes eventos, aqui deixo o meu abraço e a recordação da sua inesquecível figura.
no estaleiro velho do mestre zé rito, quando se construía o moliceiro “zé rito”