há quem cresça com o mar
dentro de si
nele caminhe como se outra terra
sem ele não seja
mais do que alguém que espera
a terra por destino último
há quem nasça para o mar
e só com ele saiba namorar
(torreira; companha do marco; 2010)
do outro lado da rua
tem havido sempre um outro lado da rua
o sol ilumina as casas
aquece-as
as mãos buscam-no
quase o agarram
de tão próximas
do outro lado de muito mais ruas
sombrios os becos
onde se morde a fome
nas sobras de ontem
de outrem
frio medo revolta
medo revolta frio
revolta frio medo
por dentro
há sol do outro lado da rua
roubaram-no