agora
não sei de mim
perdido longe
muito longe daqui
estou onde
não sei de mim
sei de um outro
que não chegou
não partiu
nunca foi
sonhou sempre
(ria de aveiro; torreira; cabrita alta)
(tenho tanto para te dizer
e tão pouco o tempo)
ninguém regressa a lado algum
chega-se sempre
não há regresso ao que era
porque já foi
a isso o tempo nos condenou
o tempo os homens a natureza
nós
chega
chegarás sempre
admira-te ou desilude-te
o teres chegado
é sempre espanto
( o barco aproxima-se da areia
os homens crescem para a terra
chegam)
(praia de mira; companha do zé monteiro; 2009)